28 de mai de 2009

Magnífico

24 de mai de 2009

ateísmo

Uma amiga mostrou-me um texto de Alex Castro acerca do ateísmo. Ele, embora ateu, critica os ateus que se comportam dogmaticamente como os religiosos por eles atacados. Concordo com a visão dele a respeito. Eu que sempre fui um livre pensador, mas também fui seduzido pela necessidade de crer, e, por isso, conheci o sentimento da intolerância dos religiosos, percebi o quanto é perigoso o dogmático. O dogmático me diz para ter cuidado com o relativismo e eu percebo os danos causados pelo absolutismo pregado pelos dogmáticos, religiosos ou não. Esses caras são aqueles que fazem fogueiras de livros. Eu sou daqueles que acredito na plena liberdade de expressão. Ninguém tem o direito de tutelar o que eu devo ler. Ninguém tem o direito de proibir o que eu tenho a dizer.
Um crítico diz: você critica muito, mas qual é a solução: a solução é não ser condescendente. É necessário punir o criminoso, tenha ele dez anos, ou seja ele o Presidente da República ou o Rei!

Um dia chegaremos lá?

A Inglaterra da "Mãe dos Parlamentos" está discutindo a sua democracia e o seu sistema político, a partir dos escândalos envolvendo pelo menos 80 dos membros da Câmara dos Comuns que usaram indevidamente verbas como a destinada a auxílio-moradia. O escândalo levou o Primeiro-Ministro Gordon Brown, líder do Partido Trabalhista, e David Cameron, o Líder da oposição, do Partido Conservador, que têm muitos envolvidos com a vergonha, a pedirem desculpas públicas. Os políticos envolvidos também pediram desculpas e devolveram aos cofres públicos os recursos indevidamente usados. Há o compromisso de que os políticos infratores não concorrerão nas próximas eleições. O fato levou, inclusive, o Presidente da Câmara dos Comuns, que não participou da farra mas foi omisso, a renunciar ao cargo. É que numa crise como esta, diz um articulista do The Guardian, os ingleses não querem desculpas, querem cabeças. Quantas semelhanças e diferenças com a realidade brasileira! Aqui também há abusos que não se limitam ao auxílio-moradia, há passagens aéreas, verbas de gabinete e inúmeras outras inomináveis. Mas ninguém sequer pede desculpas, os presidentes dos Poderes e da República acham até natural. E o povo não quer cabeças rolando, reelege simplesmente, fazendo valer a declaração cínica mas sincera do deputado gaúcho. É por isso que a Inglaterra é a Inglaterra e o Brasil é o Brasil!

21 de mai de 2009

A notícia abaixo é alarmante! Diz respeito a uma realidade que sinto bem próxima a mim: meu filho e a maioria de seus amigos estão desempregados, apesar de terem estudado nas melhores escolas e faculdades do país e de sua excelente formação. Esses jovens, com idade entre 20 e 25 anos, não pedem bolsa-família, não querem favores do Governo, e buscam desesperadamente manter-se à distância do seguro-desemprego. Não pretendem ficar sentados numa poltrona, à frente de uma televisão, jogando o tempo fora, e vivendo às custas dos pais ou do País. Eles almejam oportunidade de trabalho, se não por meio de emprego, por intermédio do empreendedorismo. Dados revelam que o brasileiro é muito empreendedor, embora grande parte não possua preparo para criar e manter viva uma empresa, o que tem levado muita gente de boa vontade ao fracasso empresarial em curto prazo de tempo. Em vez de ser um obstáculo à livre iniciativa, e satanizar o Capitalismo, o Estado brasileiro e aqueles que estão no seu comando ou a seu "serviço" (adoram falar mal das elites e da burguesia mas não dispensam de jeito nenhum os prazeres tipicamente elitistas e burgueses liberados no interior dos Poderes públicos e custeados pelos contribuintes) deveriam fazer menos discursos e atuar efetivamente na diminuição da burocracia e da carga tributária, estimulando o empreendedorismo, a criatividade, a aquisição, produção e distribuição de conhecimentos. Iniciativas como as do Sebrae e congêneres, de educação voltada para o empreendorismo, deveriam ser louvadas e incentivadas a se ampliarem. A visão empreendedora deveria ser ensinada já no jardim de infância, em substituição a esta visão paternalista que vem dos tempos da Colônia segundo a qual tudo depende do Estado.
Desemprego entre jovens é três vezes maior do que entre adultos
Karen Camacho - Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online



Um estudo divulgado nesta terça-feira, antecipado à Folha Online, detalha uma realidade que os jovens já percebem, na prática, a falta de emprego. Segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos é 3,5 vezes maior do que entre os trabalhadores considerados adultos, com mais de 24 anos. O estudo foi organizado por Jorge Abrahão de Castro e Luseni Aquino.

A taxa utilizada pelo estudo é de 2005 --para permitir a comparação com outros países-- e apresenta crescimento em relação a anos anteriores. Em 2000, o desemprego dos jovens era três vezes maior ao dos adultos, em 1995, 2,9 e, em 1990, 2,8 vezes.

O desemprego entre os jovens no Brasil também é um dos maiores entre dez países pesquisados, em relação a situação dos adultos, perdendo para a Itália (3,9), Suécia (3,8) e para o Reino Unido (3,6).

Abaixo do Brasil estão: Argentina (3,1), Estados Unidos (2,8), França (2,7), Espanha (2,6), México (2,4) e Alemanha (1,4).

O índice de desemprego entre os jovens é de 19%, aponta a pesquisa, a maior dos anos pesquisados: 18% (2000), 11% (1995), 7% (1990) e 6% (1985).

De acordo com o estudo, o desemprego é maior entre os jovens porque a demissão desses trabalhadores tem um custo mais baixo para as empresas e porque, por terem menos experiência, podem ser considerados menos "essenciais".

O dado, no entanto, é confrontado pela pesquisa pelo fato de os trabalhadores mais jovens apresentarem, em média, mais atributos de escolaridade na comparação com os mais velhos.

Os pesquisadores ressaltam, portanto, que, em um período de rápida transformação nos processos produtivos, as empresas podem ver vantagens em contratar funcionários com menos experiência.

Metade

Em 2005, 46,6% dos desempregados eram jovens, contra participação de 43,8% em 2000, de acordo com estudo. Em 1995, no entanto, os jovens eram 51,1% dos desempregados.

Esse índice é o mais alto na comparação com outros países pesquisados, à frente de México (40,4%), Argentina (39,6%), Reino Unido (38,6%), Suécia (33,3%), Estados Unidos (33,2%), Itália (25,9%), Espanha (25,6%), França (22,1%) e Alemanha (16,3%).

LOBO-GUARÁ

Nome comum: Lobo-guará ou lobo vermelho de “luvas” pretas
Nome em inglês: Maned Wolf
Nome em alemão: Mähnenwolf
Nome científico: Crysocyon brachyurus (Illeger, 1815)

Em inglês, a palavra “wolf” quer dizer lobo e a palavra “maned” pode significar crina de cavalo, juba de leão, longo cabelo no pescoço, etc.

Em tupi-guarani a palavra GUARÁ tem dois significados:
Guará (1): pássaro, ave das águas, pássaro branco muito comum nos manguezais (guará e garça).
Guará (2): o que devora , mamífero (lobo-guará) dos Cerrados e Pampas.

Este animal sempre foi chamado de lobo, entretanto o seu parente mais próximo é a raposa...


Distribuição geográfica: América do Sul – Argentina, Bolívia, Peru e, no Brasil, ocorre nas regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste, nos Estados Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Goiás (GO), Minas Gerais (MG) e São Paulo (SP). Também podemos encontrar em: BA, DF, MA, PR, RJ, RS, SC, TO...
Hábitos alimentares: Carnívoro, onívoro
Reprodução: Gestação de 62 a 66 dias, cerca de 65 dias.
Período de vida: Aproximadamente 13 anos, podendo chegar a 15 anos de idade.

É o maior canídeo da América do Sul. A cor geral é laranja-avermelhada; pernas e focinho negros. Pelos longos e macios. Cauda relativamente curta com a extremidade branca. Cabeça pequena; orelhas grandes; focinho afilado.

Pernas muito compridas diferencia e espécie dos demais canídeos. Habita lugares com muita vegetação natural; campos próximos a baixadas com capoeirões ou matas arbustivas.

Alimenta-se de insetos, roedores e aves e frutos silvestres com preferências aos frutos com muita polpa. Hábitos crepusculares noturnos; solitários e nadam muito à procura de alimento.

Originalmente, o lobo-guará era uma das espécies de canídeos mais típica do Cerrado brasileiro. Os longos membros e a pelagem vermelho-dourado, associada a uma crina negra que se estende do alto do crânio até as primeiras vértebras lombares, são características distintas da espécie.

As populações têm sofrido considerável declínio ao longo de sua área de ocorrência devido à constante expansão das fronteiras agrícolas e à caça predatória. O lobo-guará habita regiões de campos com vegetação arbórea escassa. Apesar de menos frequente, a espécie pode ainda ocupar áreas de banhados e alagados, assim como campos de altitudes situados acima de 1.500 metros.

De hábito noturno, o lobo-guará adulto pesa cerca de 20 a 30 quilogramas, mede 145 a 190 centímetros de comprimento e 80 cm de altura. É um animal solitário. Embora o casal ocupe a mesma área, completa sobreposição, as interações são raras, ocorrendo apenas na época de reprodução. Em cativeiro o período reprodutivo situa-se entre os meses de dezembro a junho.

O tamanho médio da prole é de 1 a 5 indivíduos. Em geral, apenas um adulto é responsável pelo cuidado dos filhotes (principalmente as fêmeas), o que dá por curto período de tempo, embora em cativeiro tenha sido registrada a participação do par reprodutivo nesta atividade.

Mas em cativeiro as fêmeas costumavam comer os filhotes... Descobriu-se porém que na natureza a “loba” troca os filhotes de toca a cada três dias, para enganar os predadores e, quando os zôos fizeram recintos com várias tocas, a reprodução tornou-se mais fácil.

A espécie pode ser considerada onívora (se alimentando de carne e frutos). Amostras de fezes coletadas em várias áreas estudadas revelam que em termos de volume, a lobeira ou fruta-do-lobo é um dos itens mais importantes na dieta.

Entre os outros componentes alimentares se destacam pequenos mamíferos e répteis, ratos, pássaros, lagartos, tatus e também outros frutos. Em várias localidades no Brasil são registrados ataques sobre criações de galinhas, especialmente durante a estação de reprodução.

São territoriais, ocupando o macho e a fêmea uma área de 25 a 30 quilômetros quadrados, dependendo da distribuição e abundância de recursos alimentares. Os conflitos intra-específicos originários das disputas territoriais são mais frequentes entre machos e se resumem a vocalizações e marcação de cheiro.

A perda de hábitat é uma das principais ameaças à sobrevivência desta espécie, sendo que grande parte de sua área de distribuição foi ocupada por empreendimentos agropecuários, embora alguns autores sugiram que as populações do lobo-guará possam se beneficiar dos primeiros estágios de desmatamento de uma área.

A predação ocasional direcionada a criações domésticas torna a espécie sujeita a pressão de caça. Sua suscetibilidade à doenças como parvovirose é responsável pela mortalidade de muitos indivíduos ao longo de sua área de ocorrência.

Aliado a esses fatores existem ainda as crendices populares, que associam a utilização de partes do corpo do lobo-guará à cura de doenças, ao aumento da potência sexual e à redução na incidência de picadas de cobra...

A criação em cativeiro não tem tido muito sucesso devido à alta taxa de mortalidade encontrada nas ninhadas. Em média, registra-se uma taxa de sobreviência em torno de 20%, sendo as principais causas da mortalidade a parvovirose dos filhotes provocado pelo estresse do cativeiro. A mortalidade também é alta entre os animais adultos, devido a infecção renal causada por parasitas.


O desenvolvimento de pesquisas para melhoria da reprodução desta espécie em cativeiro, bem como o tratamento daqueles apreendidos em criadouros ilegais, são medidas significativas para sua proteção. Grande parte dos animais apreendidos nestas condições morre em consequência da falta de cuidados básicos.

Campanhas de conscientização para a proteção da espécie podem reduzir a pressão de caça, inclusive através da desmistificação de crendices populares. Um controle mais eficiente sobre queimadas e desmatamentos é também uma medida importante para assegurar a disponibilidade de hábitat e de recursos alimentares para o lobo-guará.

No Parque Ecológico de Americana – São Paulo, um casal vive desde 1998 e é a primeira vez que se reproduz. Foi visto cruzamento nos dias 27 e 28 de março e na tarde do dia 29 de maio, nasceram 3 filhotes. A fêmea, que ocupa a toca principal do recinto, onde ocorreu o nascimento, passa o dia cuidando dos filhotes ou dormindo. O recinto de 776 metros quadrados foi isolado parcialmente da visitação pública com um fechamento utlizando um pano na tela da frente, evitando que os pais e filhotes fiquem assustados e esteja assegurado o sossego dos animais.

03/2005 – No Zooparque de Itatiba, também no Estado de São Paulo, existem 5 deles!

Curiosidade: na simbologia o lobo recebe inúmeras interpretações... Está associado ao demônio, às assombrações (mitos como o do lobisomem, por exemplo), mas também com a luz (por enxergar bem na escuridão) e com o espírito. Na China, é tido como o guardião das esferas celestiais. Na tradição ocidental, ele representa a figura do mestre, do instrutor espiritual. Símbolo da lua na antiga Grécia e das forças favoráveis na Roma dos Césares. Gêngis Khan, o grande conquistador mongol, possuía como ancestral um mítico lobo azul...

Fonte: www.girafamania.com.br

19 de mai de 2009

"Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável."

Kalil Gibran

18 de mai de 2009

Um slogan de maio de 1968 que deve ser lembrado maio a maio: "Viver sem tempos mortos, gozar a vida sem entraves"

17 de mai de 2009

Por que a cultura brasileira não valoriza heróis? Por que nossa literatura e nosso cinema raramente retratam heróis? Por que não temos HQs com super-heróis nacionais, criados por autores nacionais? Em regra, no Brasil, prefere-se dar forma ao anti-herói e contar a nossa história como uma comédia de mal-gosto.
Essas perguntas não as faço de hoje. Mas, recentemente, assistindo ao filme “Pale Rider” (O Cavaleiro Solitário), de e com Clint Eastwood, elas me voltaram à mente. Clint Eastwood é um “Pregador” que luta contra o homem mais poderoso do pedaço. O todo poderoso usa de todos os meio, inclusive da violência, para se apoderar das terras dos garimpeiros e do ouro que elas escondem. O “Pregador”, um homem visto como santo, os encoraja a resistirem. Ele conhece bem as armas do inimigo e sabe usá-las com precisão. Não tem pudor em utilizá-las. E, como é costumeiro e até engraçado nos filmes do gênero ( o tiro do mocinho é sempre certeiro e os inúmeros dos bandidos sempre errados), o herói sozinho derrota dezenas de vilões.
O filme nada tem de original, mas é interessante pela presença de Clint Eastwood, um diretor e um ator cada vez mais admirado por contar e representar histórias de pessoas com fibra, que não temem desafios, embora nem sempre vençam a última batalha. Contudo, fez-me refletir – e provocar a reflexão é algo que valorizo na arte – na importância do herói e na falta que ele faz.
Coloquialmente, chamamos de herói todo aquele que luta contra adversidades, com bravura, muitas vezes se sacrificando em prol de um desconhecido ou da nação. Existem centenas de heróis anônimos por este país afora. É de se mencionar como exemplo o dos bombeiros, que não só apagam incêndios, também salvam vidas arremessadas no trânsito e, até, fazem partos.
Porém, o herói que desejo destacar é o que luta pela justiça e pela liberdade, esse representado pelo “Pregador” do filme de Eastwood, e que o imaginário norte-americano, em especial, produz às pencas, enquanto o nosso parece desdenhar. A Justiça e a Liberdade são os valores supremos e, por isso, os heróis que lutam por elas devem ser exaltados entre todos e retirados do anonimato. Com super-poderes ou com o poder de uma colt, ou com o simples poder das palavras. Tiradentes e Zumbi dos Palmares são modelos históricos, que deveriam ser lembrados não só nos dias oficiais mas frequentemente, por meio das artes.
Enaltecer os heróis, os americanos sabem bem, e os gregos já o sabiam há milênios, tem um efeito multiplicador e engrandecedor da nação. O herói se incorpora ao inconsciente coletivo e faz com que acreditemos que podemos vencer qualquer inimigo, a injustiça e a opressão, a mentira e a corrupção. Eleva a auto-estima de um povo.
Não se está aqui fazendo apologia de pistoleiros que pretendem fazer justiça com as próprias mãos, como nos tempos das diligências, criando esquadrões da morte nas comunidades carentes, embora a sensação de se viver em uma terra sem lei as vezes provoque o desejo de pegar em armas e sair à caça de estupradores, homicidas e políticos corruptos... Felizmente vivemos em um Estado Democrático de Direito e a justiça deve ser feita segundo as leis. Porém, as leis devem ser elaboradas para funcionar, não para legitimar o ilegítimo nem para dar aparência de civilização à barbárie, sob pena de estimular a geração de justiceiros atuando à margem da lei, como o cinema não se cansa de alertar.
O que se pretende aqui é fazer a defesa dos que lutam incansavelmente pelas causas nobres, especialmente pela justiça e pela liberdade, muitas vezes sacrificando a própria vida ou a própria liberdade, porque, como diria Brecht, são eles que fazem a diferença e são indispensáveis.

11 de mai de 2009

O que eu posso te dar

Eu posso te dar um beijo?
Tu mereces tanto e
Eu quero te oferecer tanto
Mas só um beijo eu posso te dar

Um beijo ardente
Como a inesperada pimenta
Que torna levemente picante o sabor do chocolate

Sinta!
Há neste beijo o tesão
De me embebedar com a saliva destilada em sua boca

Eu posso fazer soar música em seus ouvidos
Tu mereces tanto e
Eu queria te oferecer tanto
Mas só música eu posso fazer soar

Uma música que vem dos recantos mais recônditos do meu ser
Que a gente não sabe se é de dor ou de prazer

Ouça!
Há neste canto uma súplica
De quem anseia insano
gozar o gozo dentro de ti

Eu posso construir poesia dedicada a ti
Tu mereces tanto e
Eu queria te oferecer tanto
Mas só poesia eu posso construir

Uma poesia extraída das águas mais profundas do nosso oceano
Tal qual óleo bruto combustível refinado
Que movimenta o nosso mundo outro de dimensões inexploradas

Compreenda!
Há neste uivo um desabafo agudo
De quem quer a entrega inteira
E não apenas se saciar de metades

c cardoso

9 de mai de 2009

Música

Olha, quero cantar-lhe algo
Sim, cantar uma musica apaixonada
Quero que esta paixão
Vibrando em mim, dentro de mim
Deixe você encantada

Se lhe contarem que eu não sei cantar
Não se importe
A paixão encarregou-se de me ensinar

Deixe-me, deixe-me então
Cantar
Talvez queira dançar

Você, sim, comigo

Luz pouca e um pouco de perfume no ar

Ah! A frescura do seu corpo apertado no meu

Giramos embriagados
Damos voltas alucinados

Se lhe parecer que faltou o chão, querida
Não se assuste
Somos agora uma só onda
Curvando-se ao compasso da musica

Já não nos guardam as quatro paredes
Não precisamos mais de sua proteção
Já não chegam aos nossos ouvidos o tic tac do tempo
Não precisamos mais estar despertos

Como notas do mesmo acorde, nos
Tocamos e vibramos

Se parece excitada, querida
Não se assuste
Somos dois corpos unidos
Numa forma única

Já não nos guardam as vestes
Não precisamos mais de sua proteção
Já não chegam os nossos ouvidos
A mentira e o ódio que dominam o mundo
Não precisamos mais estar despertos

Como notas do mesmo acorde, nos
Desejamos e amamos

c cardoso

8 de mai de 2009

Muros

Muro foi feito para unir os namorados,
Mureta de encosto para a paixão sem medos.
Aonde, alheio ao olhar de pessoas estranhas,
O casal se apossa e curte o infinito espaço.
E gruda frente e verso, ou seio com peito.
Laça, entrelaça, amassa, suave o aconchego do abraço.
Por segundos, olhos nos olhos, embevecidos desde as entranhas.
Depois, um mira distante, imaginando o jeito
De adiar o momento de dar o último beijo.
Aquele que só se dá a contragosto,
Porque chegada a hora de ir para o lado oposto.


Muro foi feito para desafiar os grafiteiros,
Mural de vanguardas formas para os viciados na viagem.
Aonde, alheio à censura dos críticos,
O artista meio desvela ocultos semblantes em riscos,
E desenha, pincela e colore apressado,
com a apreensão de quem caminha à margem.
Por segundos, teme ser pela autoridade algemado.
Depois, imagina o sonho, a galeria de arte,
O de não ter que correr atrás de dinheiro e ficar à parte.
Aquele momento – vislumbra - da entrevista no Jô, na Marília Gabriela,
Porque é chegada a hora de traduzir em palavras o que se vê na tela.

Muro foi feito para separar inimigos,
Muralha destinada a afastar a ameaça do horror.
Aonde, alerta contra homens-bombas e balas perdidas,
O indivíduo (des)armado resiste e reage ao torpor,
E trabalha duro, pela família, pela pátria, a sua senda.
Às vezes relaxa e goza, amiúde reza por perdão.
Por segundos, pensa que tudo (ou nada) é em vão.
Depois, segue em frente e cuida das feridas
Trazidas pela discórdia e pela ganância.
Aquele que teme ousa olhar o outro lado pela fenda
Porque é chegada a hora de conquistar paz e abundância.

c cardoso