30 de abr de 2008

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre. Clarice Lispector

26 de abr de 2008

24 de abr de 2008

Had I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silverlight,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on may dreams.

Parte deste belo poema de W. B. Yeats é mencionada no filme "Equilibrium", uma estória utópica, de um lugar em que era proibido ter sentimentos porque os sentimentos humanos seriam as causas da desordem, das guerras, da miséria, das injustiças, dos males do mundo enfim. Recomendo.

23 de abr de 2008

Me acompanha
Minha jornada é sem rumo, não tema
Carro na estrada sem faixas contínuas
Longa reta ligando a curva do horizonte
Janelas bem abertas e o vento

Me acompanha
A jornada é solitária, é minha
precisa ser minha
há trechos que não,
há trechos que é bom estar junto

A jornada é partilha, é nossa


Me acompanha
Não sou má companhia
Sei quando é momento de ficar em silêncio
Para não perturbar as árvores tortas, as planícies nuas, os nelores alvos
E os seus pensamentos sutis
Sei também filosofar bobagens que não mudam o mundo
Mas transformam o tempo de viagem em despercebido
E ouvir você prosseguir falando se quiser
Contando histórias que não sei se verdade ou fantasia
Que afastam o sono sem sonho


Se deseja pode repousar sua cabeça no meu colo para ver o sol se pondo

Me acompanha
A Estrada tem bifurcação
Cruzamento
Fim
Eu não quero que ela tenha fim!
Se cansar, você pode sair pela esquerda
Me abandonar no cruzamento
Ou seguir ao meu lado só
Ligados pela conspiração do destino

Me acompanha, nós somos livres!

23.04.2008
c. cardoso

22 de abr de 2008

PARA SER GRANDE, sê inteiro: nada
       Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
       No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
       Brilha, porque alta vive.

Fernando Pessoa

Este poema é perfeito, mostra ( não tem o poeta a pretensão de ensinar nada) na medida certa, sem tirar nem por, porque uns são grandes e outros estão longe disso.

17 de abr de 2008

Reli "1984", de George Orwell, depois de ler "A Revolução dos Bichos". São duas obras que cumprem à risca o papel de uma obra de arte: não apenas provocam prazer estético; perturbam, e de tal modo que, após o contato com elas, é impossível permanecer conformado. Ambas trazem com tema fundamental a liberdade, que, em regra, não recebe o devido valor daqueles que nunca foram vítimas da opressão, embora, também não raramente, venha a ser violentada por quem desejou muito possuí-la. A primeira obra trata de uma sociedade sem liberdade para amar, sem liberdade para pensar e criar, sem liberdade para discordar, sem liberdade para ir e vir, sem liberdade para preservar a intimidade, ou seja, sem liberdade para ser humano em toda a sua dimensão e individualidade. É a sociedade dominada pelo partido único, monopolizador das idéias, único detentor da verdade por ele estabelecida e restabelecida conforme a sua conveniência. É a sociedade conduzida por um mito, encarnado no grande lider carismático, o "Big Brother", cuja imagem é estampada em todos os cantos e cuja voz é um discurso falacioso, acalentador para os mal informados, aterrorizante para os cientes, uma pregação que chega a ofender a razão quando não se está alienado. Será que se a maioria das pessoas soubesse o que representa o "Big Brother", ela dominaria o seu voyeurismo e se indignaria com um programa permeado pelo espírito sufocante desse ente tirano? O outro livro cuida da luta pela liberdade embasada em ideais igualitários logo abandonados por ocasião da conquista do poder. Os lideres e os seus próximos tornam-se sempre mais iguais do que os outros e passam a agir de modo até mais censurável do que os antigos detentores do poder. Há muito de Orwell em filmes como "Matrix" e "Equilibrium". Orwell, ao escrever esses livros extraordinários, teve em mente especialmente o regime stalinista. Mas eles são um alerta contra qualquer regime autoritário, de direita ou de esquerda. Eles merecem ser revisitados, particularmente, por nós latino-americanos, para que fiquemos atentos neste momento em que algumas lideranças e partidos, que se intitulam revolucionários ou messiânicos, vão ocupando espaço no continente e agredindo, uns de forma explícita, outros de forma velada, as liberdades individuais. Recomendo, ainda, uma outra utopia, também apontada como negativa, mas que também é um sinal amarelo: "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley.
"E melhor ser uma criatura humana insatisfeita do que um porco satisfeito; é melhor ser Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito" J. S. Mill

16 de abr de 2008

"I have no right to call myself one who knows. I was one who seeks, and I still am, but I no longer seek in the stars or in books; I'm beginning to hear the teachings of my blood pulsing within me." Hermann Hesse

12 de abr de 2008

Quebrar o ovo…destruir um mundo. A todo instante a vida está oferecendo mudanças para que a estagnação e o tédio não dominem a existência, transfomações mínimas em alguns momentos, revoluções em outros. Pequenas mudanças são, habitualmente, bem-vindas; as radicais provocam, quase sempre, medo, quando não pânico. Tem alguma relação com a preservação da espécie, com o instinto de sobrevivência que nos leva a assumirmos posturas conservadoras. Porém, em diversas situações, a preservação depende da ousadia. E sobreviver não é o bastante, é necessário existir, e existir em plenitude. Buscamos ansiosamente a estabilidade: na família; no trabalho, nas finanças, em uma construção religiosa ou filosófica dogmática…mas a estabilidade conquistada jamais sacia. Porque, nada é verdadeiramente estável; tudo passa, já dizia Teresinha de Jesus, embora ela ressalvasse Deus. Por isso, a estabilidade é incapaz de suprimir as angústias advindas do ser, daquele ser que deseja mais do que retornar ao pó depois de ter sido conduzido uma vida inteira por cordas invisíveis manipuladas por um deus com um humor bipolar. Se queremos controlar os nossos passos, e deixar os seus rastros na Estrada – conscientes de que, um dia, também eles se apagarão - , não podemos temer a instabilidade, porque é dor inútil ir de encontro ao inevitável. E se pretendemos avançar de modo efetivo, para, no final dos dias, suspirar que valeu a pena, precisamos de coragem para agir quando se deve agir e destruir o velho para permitir o nascimento do novo. Não que tudo o que é velho mereça ser substituído pelo novo. Mas tudo pode e deve ser transformado em algo melhor, sob pena de ser extinto pela implacável evolução.

10 de abr de 2008

O desejo diz: eu posso
A razão diz: não convém
Mas é sem razão desejar o que faz bem?
Eu te desejo; não posso?

Poder pode, ela responde
Mas não deve ir adiante
Sem conhecer todo o mal que a cobiça esconde
Hoje pode ser bom, amanhã, quem garante?!

Se não arrisco jamais saberei a verdade
Que os seus lábios calam e os seus olhos insinuam
Permanecerei para sempre na saudade
Do seu corpo que os meus dedos não dedilham

Ele teima: insisto
Ela não cede: não insista
Ele desanima: desisto
Ela pede: não desista

c cardoso

9 de abr de 2008

lobo do cerrado/lobo da estepe

O título lobo do cerrado é uma homenagem brasiliense a Hermann Hesse e ao seu Lobo da Estepe. Esse Nobel de Literatura que abriu as portas de sua obra "para os raros"e a dedicou "só para os loucos", deve ser lido e relido, especialmente em tempos de culto à mediocridade. Hesse revela, a partir de elementos extraídos da psicanálise, das artes e dos mitos construídos pelo homem, a fascinante complexidade do ser humano, um ser que não é uno, sequer duo (lobo e homem), mas multifacetado, que merece ser investigado no que possui de genial e de bestial. E admirado! Mostra também que a pasteurização que anula o indivíduo, sob a justificativa da felicidade coletiva, não só empobrece a humanidade como tende a suprimir nosso bem mais precioso, do qual derivam todos os outros: a liberdade. É impossível ler Hermann Hesse e permanecer a mesma pessoa, conformada, porque a sua literatura exerce o eminente papel de incomodar.
"O pássaro está lutando para sair do ovo. O ovo é o mundo. Quem desejar nascer tem que destruir o mundo. O pássaro está voando para Deus. O deus chama-se Abraxas" da obra "Demian"

8 de abr de 2008

o poema que eu não escrevi

Tem dias que, por mais que se busquem palavras adequadas, para elaborar uma frase bem construída, um poema inspirador, eu não consigo encontrá-las. O jeito é socorrer-me de palavras alheias, agora, nas de e e cummings:

"Lady, i will touch you with my mind.
Touch you and touch and touch
until you give
me suddenly a smile, shyly obscene

(lady i will
touch you with my mind.) Touch
you, that is all,

lightly and you utterly will become
with infinite ease

the poem which i do not write."

5 de abr de 2008

olha a imensidão

Olha a imensidão do mar, Olívia
Lá embaixo, provocando o rochedo com sua saliva
Suspirando que ele não é sólido o bastante
Para impedir que eu me lance num rompante
Em direção ao aconchego do seu abraço


Mira o azul – ou verde – que cerca os abrolhos
O mesmo azul – ou verde – lânguido dos seus olhos
Ele me diz: pula, não tema, eu te seguro
Não há no mundo conquista verdadeira sem apuro
Ah! quanta dúvida agrilhoando o meu passo


Diga-me, em meu desespero, o que faço
Minha doce Olívia, para vencer a corvadia,
Para nadar nas profundezas e voar no espaço

Ou devo resistir e deitar na rede, na varanda ao lado
Que não sou peixe nem pássaro que vadia
Sou só um louco da imensidão do mar enamorado


C Cardoso