6 de dez de 2009

Woody Allen

3 de dez de 2009

jamie cullum



Eu e meus filhos temos uma relação de amigos. Sempre me recusei a ter uma relação de autoridade com eles. Nunca aceitei que meu pai usasse como argumento a idade ou a experiência para calar. Por isso nunca me situei numa posição deísta diante deles e sempre acolhi as novidades e as lições oferecidas por eles, assumindo minhas limitações humanas, com especial atenção para a cultura do novo milênio e para os avanços da tecnologia. E foi a minha filha que me apresentou esse extraordinário músico chamado Jamie Cullum, um jovem com uma voz cativante e uma presença de palco entusiasmante. Ele mantém o ouvinte simplesmente hipnotizado e possui um repertório irreverente sem perder a elegância. Copiei abaixo as letras. Vou pedir ao meu filho para me ensinar a copiar os vídeos, que também valem a pena.
All At Sea
Jamie Cullum

I'm all at sea
Where no-one can bother me
Forgot my roots
If only for a day
Just me and my thoughts sailing far away
Like a warm drink it seeps into my soul
Please just leave me right here on my own
Later on you could spend some time with me
If you want to
All at sea
I'm all at sea
Where no-one can bother me
I sleep by myself
I drink on my own
Don't speak to nobody
I gave away my phone
Like a warm drink it seeps into my soul
Please just leave me right here on my own
Later on you could spend some time with me
If you want to
All at sea
Now I need you more than ever, I need you more than ever, now
You don't need it every day
But sometimes don't you just crave
To disappear within your mind
You never know what you might find
So come and spend some time with me
We will spend it all at sea
Like a warm drink it seeps into my soul
Please just leave me right here on my own
Later on you could spend some time with me
If you want to
All at sea
Everlasting Love
Jamie Cullum

Hearts gone astray, deep in her when they go.
I went away just when you needed me so.
You won't regret, i'll come back begging you. (mmm)
Won't you forget, welcome the love we once knew.

Open up your eyes, then you realize.
Here i stand with my everlasting love.
Need you by my side.
Girl to be my pride.
Never be denied everlasting love....

Oh...

Hearts gone astray deep in hurt when they go.
I went away just when you needed me so.
You wont regret i'll come back begging you.
Wont you forget, welcome love we once knew.

Open up your eyes, then you'll realize.
Here i stand with my everlasting love
Need you by my side.
Girl to be my pride.
Never be denied everlasting love.

From the very start open up your heart, feel that you've fall in,
Everlasting love......

Need a love to last forever.
Need a love to last forever.
Need a love to last forever.
Need a love to last forever.........

I need a love to last forever

7 de nov de 2009

Sobre viver e morrer

Segunda-feira passada foi dia de finados. Não foi um dia diferente para mim, a não ser pelo fato de ter sido feriado. Não fui ao cemitério nem fiz orações lembrando dos entes queridos que já se foram, porque não acredito que qualquer um deles fosse se importar. Do pó viemos e ao pó retornaremos. Vejo a morte com naturalidade, porque inevitável contraponto à vida. Não é insensibiliade. Claro que ela me entristece no momento em que ela mostra a sua face sombria e leva alguém ligado a mim. Muitos dos meus já se foram. Pai, irmã, avós, tios, primos e amigos... No mês passado faleceram, vitimados pelo câncer, um primo e grande amigo e uma tia. Lembrarei deles com carinho, como dos demais, mas sem sofrer. Desconheço o significado do luto. O que me causa dor maior, indignação mesmo, é a forma da morte e, em alguns casos, o tempo da morte. A morte provocada pela barbárie humana, a exemplo da causada por terroristas, por genocidas, por maus motoristas, por assaltantes, pela displicência ou pela arbitrariedade das autoridades públicas... A partida dos filhos antes dos pais choca-me por contrariar a relação natural entre a idade e o desgaste da vida. De qualquer modo, esbarrar com morte tem o seu lado positivo: faz pensar na vida. Melhor do que isso, ela me faz querer viver bem e longamente. Isto me leva a refletir o que é viver bem e como diminuir os riscos de uma morte prematura. "Viver bem" e "morte prematura" são expressões muito subjetivas: para alguns vale viver intensamente o agora apesar dos riscos de morte; para outros importa viver longa e prosperamente, sem riscos, suavemente. Eu desejo viver enquanto o prazer for dominante. E quero que ele domine por muito tempo. Para tanto, pretendo me valer de todos os meios que o conhecimento me fornece para proteger a minha saúde física e mental. Para tanto quero aproveitar tudo o que está ao meu alcance e não sofrer com o que está além das minhas forças. Assim, como é alta a incidência de câncer na minha família, estou buscando fazer o que está dentro do meu âmbito de ação para me proteger, fortalecendo o meu sistema imunológico: alimentação mais mediterrânea possível, com bastante vinho; stress em nível budista, mantendo-me positivo apesar dos pesares; atividade física compatível com as exigências do coração e do pulmão e treinamento mental, embora na parte da educação física ainda esteja tentando vencer minha vontade de permancer na cama ou na poltrona... Enfim, quero cuidar da vida, porque em relação à morte não há o que fazer, a não ser ter consciência da sua inevitabilidade.

2 de nov de 2009

Back from Australia

A minha filha me proporcionou a melhor viagem da minha vida. Ela me levou para o oriente mais ocidental do planeta, oposto às terras brasileiras: Austrália. Um país de uma juventude muito bem sucedida de 200 anos. Um país que explora muito bem as suas riquezas e onde mesmo as adversidades são tratadas como vantagens, como a aventura da conquista...A Austrália me pareceu sinônimo de qualidade de vida e de prazer. Tudo organizado com o timing britânico mas temperado com a leveza trazida pelo sol quase mediterrâneo, quase latino. Perth, costa oeste, possui um rio que parece lago suiço margeado por parques capazes de impressionar um zen-budista acostumado a encarar o mundo a partir do cume do Himalaia. Adorei as vinícolas de Margareth River e seus vinhos. Sydney já revela a delícia de um mundo multicultural, onde diversas nações se mesclam falando muitas línguas e uma só, como em uma Babel tolerante como uma avó, e viva vinte e quatro horas. Esta viagem deixou claro como nunca, para mim, que não faz sentido procurar o sentido de tudo, porque simplesmente não há sentido. É preciso viver, simplesmente, e ser quem conduz à própria felicidade. Para mim, ser feliz é viver o prazer de conhecer as diversas experiências humanas, geográficas e culturais que o planeta oferece. Viajar, saboreando todos os estímulos que o mundo oferece aos cinco sentidos. Relacionar-me, trocando universos que somam, que fazem expandir rumo ao espaço sideral sem limite, preenchendo e sendo preenchido, como música que penetra todas as células e faz vibrar todas as moléculas.

20 de set de 2009

religião = ilusão

A maioria das pessoas prefere permanecer iludida a encarar a verdade. Prefere a ignorância ao saber. Dados estatísticos divulgados por institutos de pesquisas como o IBOPE ou a DATAFOLHA acerca do que os entrevistados pensam, indicam esse fato. No âmbito da política, por exemplo, só a cegueira coletiva e a acomodação social justificam a aprovação do Presidente da República e do seu Governo, por mais de 60% da população brasileira, diante dos escândalos sucessivos envolvendo pessoas do círculo íntimo de Sua Excelência e por ele apoiadas, como também do suporte por ele oferecido a regimes com tendências anti-democráticas e anti-brasileiras, para se dizer o mínimo. A verdade é, seja ela prazerosa, seja ela dolorosa. A ilusão é construída segundo a conveniência, visando aliviar dores ou consciências. Ela não é negativa em todas as cisrcunstâncias. Faz bem assitir um filme como Ghost, ou ler um livro como O Diário de um Mago, e se integrar à história. Não há mal nenhum, também, em pular alucinadamente o carnaval trajando o personagem que mais agrada ao folião, desde que a extravagância não cause dano a terceiros. É mais do que provável que sem a fantasia a vida seria insuportável. O problema se apresenta quando ela deixa de ser percebida como uma válvula eventual de escape e passa a se confundir com a realidade. Aí então passa-se ao estado de alienação prevalente, à insanidade. Disse-me uma terapeuta que o saudável não é eliminar dentro de nós o que escapa à razão, mas se mover entre o racional e o imaginário sem perder o controle. Uma coisa é a pessoa beber moderadamente, experimentando os efeitos saborosos que a ingestão da bebida alcoólica provoca em seu cérebro; outra, ela estar permanentemente alcoolizada... Este assunto trago agora, não para tratar de política. Em outra ocasião, certamente. Mas, neste momento, desejo falar de religião. A religião, seja qual for, é um sistema composto de ilusões derivadas de um delírio, como assinala Richard Dawkins: de deus (ou de deuses). Cito um exemplo mais próximo de mim, que eu conheço melhor: o do Cristianismo. O Cristianismo foi elaborado a partir da história de um homem que se dizia deus, único caminho e única verdade, concebido por obra de um espírito santo, nascido de uma virgem, no meio do povo escolhido e na terra santa, crucificado, morto, ressuscitado ao terceiro dia, e, desde então, sentado à direita de deus-pai, no céu, para julgar vivos e mortos. Há inúmeras histórias como essa, de outros deuses e iluminados, de super-heróis, de extraterrestres, de vampiros e outros imortais, de bruxos e bruxas, de duendes e por aí vai, várias dando origem a legiões de seguidores cuja crença é vista, inclusive pelos cristãos, como coisa de malucos ou diversão de nerds. Só que a história de Cristo e a crença nela influenciaram a história do planeta como nenhuma outra, produzindo mais ódio do que amor, mais separação do que religação, mais obscuridade do que luz. A fé cega e a intolerância para com quem não é o "próximo" não é uma caracterísitica só do Cristianismo, é certo. Nem só das religiões monoteístas. Quanta violência foi causada em nome do Hinduísmo e da arcaica sociedade de castas por ele estabelecida, preservadas as vacas sagradas? É próprio das religiões em geral rejeitar sem debate crítico tudo o que for contrário aos seus dogmas, e não aceitar dúvidas, contestações. É fato que regimes embasados no materialismo também perseguem até a morte os que não se conformam à ideologia dominante, mas o que é o comunismo senão uma religião sem deus!? Tudo com assento em delírios que conduzem a vida de milhares de pessoas. Uma pesquisa feita pelo IBOPE em 2004 verificava que 31% dos brasileiros acreditavam que Deus criou o homem a menos de 10.000 mil anos e com as caracterísitcas atuais, em consonância com a bíblia; apenas 9% criam na evolução gradual do ser humano nos termos da teoria darwinista, sem a interferência de um deus. Não é à toa que cada vez mais vozes se levantam contra a religião e assumem o ateísmo: são vozes em defesa da razão e da verdade. Vozes como a de Dawkins, Carl Sagan, Bertrand Russell, Sam Harris, Christopher Hitchens, Daniel Dennett, Michel Onfray, Luc Ferry, Peter Singer...que conclamam as pessoas a abandonarem essa atitude de torpor provocada pelo ópio e a buscarem a verdade verdadeira valendo-se da razão como mestre, da dúvida como método, da filosofia como formadora e da ciência como informadora. A nossa vida, como se sabe, é feita de escolhas que podem resultar em muita felicidade ou muita dor. A probabilidade de nossas escolhas serem acertadas será tanto maior quanto maior for o nosso conhecimento da realidade.

A propósito dos males causados pelas religiões, recomendo o documentário Religulous, de Larry Charles, com Bill Maher.

14 de set de 2009

Uma cientista que curou seu próprio cérebro

Minha amiga Mariana me deu uma dica extraordinária: apresentou-me Jill Bolte Taylor, uma cientista dedicada ao estudo do cérebro que, por ironia do destino, sofreu um derrame e teve o lado esquerdo do cérebro danificado, o que lhe permitiu vivenciar com clareza a diferença entre os dois hemisférios cerebrais, sob a predominância do direito. Oito anos após o acidente, ela conseguiu recuperar-se, hoje plenamente, e escreveu um livro contando sua experiência e suas conclusões, My Stroke of Insight. Curioso, corri para a internet para saber mais a respeito da cientista e de sua obra. Assisti entrevistas suas e li trechos do livro disponíveis no Google. Fiquei fascinado. Conta ela que, sem a presença dominante do hemisfério esquerdo, onde reside a função da linguagem e a percepção do eu, do indivíduo separado do todo, ela conheceu o que denominou nirvana, uma paz profunda, e se reconheceu energia pura, fluida, em plena conexão com o cosmos. A partir daí, constatou a necessidade de se balancear a força dos dois lados do cérebro e procurou identificar os meios para tanto, de modo a que as pessoas possam se valer mais das funções desse orgão fantástico, não só em benefício próprio mas de toda a humanidade. É a energia positiva, amigo, afetando não só o que está por perto. Como, em regra, o hemisfério esquerdo está no comando, ela percebeu que é preciso estimular o uso do direito, o que se faz por meio da atenção para com o presente. Esta parte do cérebro lida com o presente, enquanto a outra com o passado e o futuro. Pelo direito se conhece a paz e a compaixão. Isto me traz à mente Budismo e meditação! Jill Taylor fala em nirvana, não é?! E meditação nada mais é do que atenção plena no agora! É excitante ver essa aproximação cada vez maior entre ciência e Budismo. Já mencionei Sam Harris falando a propósito. Eu sempre simpatizei com o Budismo, não com o dos rituais que o identificam como religião cheia de deuses, a exemplo das outras repletas de mitos, mas com o da filosofia, não deísta, da impermanência, da vacuidade, da gota que, ao encontrar-se com o oceano, nele se dilui e passa a ser igualmente oceano. Em relação à questão de que todas as emoções são dores, tenho minhas ressalvas, motivo pelo qual não posso dizer que seja um budista. Acredito que há emoções maravilhosas, de alegria e felicidade, e espero que elas não sejam ilusões. Admiro o Budismo como psicologia do autoconhecimento, vindo-me à memória a obra de Georges da Silva e Rita Homenko, mas nunca coloquei em prática as suas lições. Acho que é hora de começar a meditar, efetivamente. Em vez de teorizar sobre o cérebro, devo observar os seus movimentos, e ficar plenamente atento ao agora, aos pensamentos, às sensações e percepções. Ainda assim, o livro de Jill Bolte Taylor é o próximo da lista. Mariana, obrigado pela dica.

9 de set de 2009

Ainda acerca do brilho da mente

Dualistas como Descartes e talvez 90% das pessoas ( cristãos, pelo menos) acreditam que corpo e mente são substâncias diferentes. Muitos usam alma ou espírito como sinônimo de mente, que pode deixar o corpo a qualquer momento e ir para algum dos cenários de Dante, para alguma outra dimensão, ou reencarnarem. Eu, durante anos, por causa de histórias contadas no âmbito de minha família, dizia o seguinte: eu não acredito em fantasmas, mas que eles existem, existem. Certa vez, eu passava férias na velha casa de minha avó, em São João del Rey, típica cidade colonial mineira com igrejas e cemitérios em toda esquina, os primos se reuniram à noite para contar histórias de assombrações que viviam pela ruelas de paralelepípedos, pelos casarões centenários e pelos cantos escuros da casa da minha avó. Os mais velhos narraram os casos e os mais novos, entre eles eu, ouviram atentos, olhos arregalados. Alguns até choraram de medo. Eu ri, porque sabia que era tudo mentira. Mas, na hora de dormir, quem disse que eu conseguia dormir longe da minha mãe... Crescer num ambiente meio católico meio espírita faz você acreditar no sobrenatural, não tem jeito. O contato com a ciência, entretanto, e com as descobertas a respeito de o cérebro ser um complexo de neurônios conectados como circuitos eletrônicos que trabalha informações, percepções e sensações, e comanda o resto do corpo, foi me afastando dessas crenças, não sem uma resistência criada pela autoridade dos pais e da tradição. Não é fácil romper certas amarras. Mas, seguir rumo ao materialismo era inevitável. Disse uma cientista de Oxford, Susan Greenfield, que você é o seu cérebro. Eu não possuo conhecimento suficiente de neurociência para assinar em baixo da afirmação daquela senhora, mas a minha experiência com a memória, por exemplo, indica que ela tem razão: cérebro e mente estão intimamente vinculados, se não são uma coisa só. Alguns dizem até que não existe mente. Qualquer alteração cerebral, que é de natureza física, afeta a mente, a consciência. Qualquer um que já consumiu algum tipo de droga, lícita ou não, sabe disso. Também o desgaste do corpo pelo tempo, pela idade, afeta a memória, isto está provado, daí a recomendação de exercícios mentais para postergar esse desgaste. Não é a memória uma das características essenciais da mente, do eu? O que sou eu sem memória? De onde vem a minha consciência, a consciência de mim mesmo e de tudo o que há em volta? Ao observar um recém-nascido, parece-me que a sua mente é uma folha em branco; ao olhar para um defunto, parece-me que o que havia na folha se apagou. Será a consciência, então, resultado da interação do corpo, sob o controle do cérebro, com o ambiente? Recentemente li uma sugestão de Sam Harris, na obra A Morte da Fé, que me chamou muito a atenção por vir de um escritor que defende aguerridamente o ateísmo: ele recomenda como método para chegar mais perto das respostas a essas e outras perguntas a meditação budista. Sobre este assunto eu quero voltar depois.

7 de set de 2009

Brilho eterno de uma mente sem lembraças

Depois de muita insistência de minha filha, assisti Eternal Sunshine of the spotless mind. Resistia porque não gosto de Jim Carrey e suas caretas, embora adore Kate Winslet e seus personagens pouco convencionais. O filme é surpreendentemente louco e interessante, daqueles que fazem você pensar muito. Viajar. A exemplo de Matrix, o primeiro. Matrix fez-me indagar o que é real e o que é fantasia criados por alguém ou algo que transcende a nós. Brilho eterno trata do nosso cérebro e do seu papel em nosso ser. Há algo além dos neurônios? Meus sentimentos, a paixão, é tudo resultado da química que envolve o meu cérebro? Se essa paixão for frustante, é possível apagá-la da memória e seguir sem dores? Outras paixões virão, e virão com dores. Mas eliminar as dores implica também apagar os prazeres. Resulta apagar toda a minha história de amores e desamores. Outro aspecto interessante: o que faz com que você seja atraído e atraia alguém. É algo químico, circulando no seu cérebro, com prazo determinado? Ou é resultado do atendimento de suas preces, como muita gente fã de Santo Antônio crê? Eu não sei, vou pesquisar.

6 de set de 2009

Jornada do Lobo

A minha jornada de lobo buscador da verdade começou faz décadas. Não me lembro quando foi a primeira vez que me perguntei qual era o sentido de tudo. Não tinha quinze anos e já questionava o porquê. Toda criança perturba os seus pais com inúmeros porquês. Mas eu indagava questões mais incômodas porque fundamentais: de onde vim, para onde vou, por que sou, para que sou, o que sou, o que devo ser, qual é o meu fim, o que devo fazer para nào ter sido em vão... As primeiras (primitivas) respostas, é claro, foram dadas pelos meus pais. Eles não eram vinculados a nenhuma religião, embora formados católicos. Como bons brasileiros, meus pais traziam no corpo e na mente não só a mistura de raças mas também o sincretismo religioso, em que a morte e ressurreição de Cristo convivem com a reencarnação dos espíritos kardecistas ou cablocos ou nego-veios, apesar das objeções do Vaticano e dos Pentecostais. Respostas insatisfatórias mas marcantes. Por isso, todas as minhas dúvidas e toda a minha busca de respostas se voltavam para o deus do meus pais, o deus brasileiro. Para saber qual a razão do meu ser, eu precisava descobrir o que deus esperava de mim. Somente cumprindo a vontade divina eu me realizaria, só assim eu seria feliz. Contrariamente aos meus pais, entretanto, eu desconfiei que não dava para misturar as coisas. Não dá para ser católico e espírita ao mesmo tempo. São dogmas que não se conciliam. Estudei o Catolicismo e o Espiritismo. Optei pelo primeiro, forte na tradição milenar, sustentada na pedra de Pedro e na Bíblia. Fui antes a centros espíritas, e li Kardec e Chico Xavier, mas não me convenci de que eles ofereciam a verdade. Nenhum dos meus mortos voltaram para responder às minhas dúvidas. Também fui atrás do Budismo, da Teosofia, dos Protestantes...Preferi voltar ao Catolicismo, seguindo o conselho do Dalai Lama de que você deve persistir na sua tradição. No Catolicismo, passei a confessar os meus pecados, a frequentar as missas e a comungar o corpo de Cristo para me transformar em alguém melhor. A fim de ir à raiz do Catolicismo cheguei a ir a reuniões da Opus Dei e a buscar orientação de seu conselheiro espiritual. Mas tudo se revelava sempre contrário à minha razão. Tudo se mostrava tão mitológico quanto os chamados mitos pagãos. Percebi que eu queria crer, mas não acreditava. Eu precisava de um ser transcendente cuidando de mim. É mais confortável acreditar que alguém onipresente, onipotente e oniciente apoia você desde que você siga certas regras, do que perceber que você está por sua conta e risco. Compreendi, entretanto, que essas regras, muitas vezes absurdas, são impostas por homens como eu, que se valem de um deus tão mítico quanto os deuses gregos, indianos ou egípcios para estabelecer a sua autoridade. E que elas podem transformar você em um fundamentalista capaz de se destruir na busca de destruir o que não pensa como você, e de eliminar o que nos faz diferentes dos outros animais, a razão. Eu já intuía isto, mas esta compreensão me deu a filosofia, com detaque para as lições de Luc Ferry que me esclareceram a incompatibilidade entre o livre pensar que leva à verdade e o dogma da religião que aprisiona ao mito. Ele também me apresentou em uma linguagem mais clara as idéias de Kant e de Nietzsche que romperam com o pensamento voltado para o transcendente e estabeleceram um novo rumo para a filosofia. Mostraram que a responsabilidade pela nossa existência e seus frutos é nossa. Daí em diante deixei de perguntar a um deus, que nunca me respondeu, o que ele deseja de mim. Passei a indagar a mim mesmo como escrever a minha história de modo a fazer com que ela mereça ser lida. As respostas, à medida em que forem apresentadas, vão sendo expostas pelo lobo, aqui e agora.

25 de ago de 2009

Filosofia

Não resisti transcrever, abaixo, a Carta escrita por Epicuro. Entre as várias lições, a primeira é a de que nunca é cedo demais ou tarde demais para estudar Filosofia, instrumento único para a compreensão e a conquista da felicidade. Quanto mais eu estudo Filosofia mais eu a descubro como alimento saboroso. Eu, desde muito cedo, me perdi nas indagações fundamentais, e refleti sobre elas, sem método contudo. E, durante muito tempo, permaneci perdido no mundo das idéias, influenciado mais pelas respostas religiosas, míticas portanto, do que pelas formuladas pela razão. Percebi, finalmente, que os dogmas religiosos iam de encontro à minha condição de livre pensador e de buscador da verdade. Descobri, de vez, a Filosofia que opõe a dúvida como método de conhecimento da verdade à fé cega imposta pelas Religiões. As Religiões sustentam-se na submissão confortável a autoridades supostamente ungidas pelos deuses em troca da promessa de favores transcedentais. A Filosofia desmistifica, lança sobre nós o desconforto da responsabilidade pela própria existência, mas oferece a satisfação inigualável da construção do próprio destino. A partir da filosofia, minha curiosidade tem se ampliado e se direcionado para vários ramos do saber, além da minha área, o Direito: (Bio)Ética prática, Política, História, Economia, Biologia (com destaque para o evolucionismo), tudo visando o situar-me de forma consequente diante da vida, contribuindo para maximizar a felicidade minha e dos outros. É sobre estes temas que me proponho a estudar mais e a escrever ou transcrever neste blog, a partir de agora.

Carta a Meneceu

Carta a Meneceu
Epicuro
Tradução de Desidério Murcho

Epicuro a Meneceu, saudações.

Que nenhum jovem adie o estudo da filosofia, e que nenhum velho se canse dela; pois nunca é demasiado cedo nem demasiado tarde para cuidar do bem-estar da alma. O homem que diz que o tempo para este estudo ainda não chegou ou já passou é como o homem que diz que é demasiado cedo ou demasiado tarde para a felicidade. Logo, tanto o jovem como o velho devem estudar filosofia, o primeiro para que à medida que envelhece possa mesmo assim manter a felicidade da juventude nas suas memórias agradáveis do passado, o último para que apesar de ser velho possa ao mesmo tempo ser jovem em virtude da sua intrepidez perante o futuro. Temos portanto de estudar o meio de assegurar a felicidade, visto que se a tivermos, temos tudo, mas se não a tivermos, fazemos tudo para a obter.

Pratica e estuda sem cessar aquilo que estava sempre a ensinar-te, tendo a certeza de que estes são os primeiros princípios da vida boa. Depois de aceitar deus como o ser imortal e bem-aventurado descrito pela opinião popular, nada mais lhe atribuas que seja estranho à sua imortalidade ou à sua bem-aventurança, mas antes acredita acerca dele seja o que for que possa sustentar a sua imortalidade bem-aventurada. Os deuses existem realmente, pois a nossa percepção deles é clara; mas não são como a multidão os imagina, pois a maior parte dos homens não retêm a imagem dos deuses que primeiro recebem. Não é o homem que destrói os deuses da crença popular que é ímpio, mas antes quem descreve os deuses nos termos aceites pela multidão. Pois as opiniões da multidão sobre os deuses não são percepções mas antes falsas suposições. De acordo com estas superstições populares, os deuses enviam grandes males aos perversos, e grandes bem-aventuranças aos íntegros, pois, sendo sempre favoráveis às suas próprias virtudes, aprovam quem é como eles, encarando como estranho tudo o que é diferente.

Habitua-te à crença de que a morte não nos diz respeito, dado que todo o mal e todo o bem assentam na sensação e a sensação acaba com a morte. Logo, a crença verdadeira de que a morte nada é para nós faz uma vida mortal feliz, não ao acrescentar-lhe um tempo infinito, mas ao eliminar o desejo de imortalidade.

Pois não há razão para que o homem que tem plena certeza de que nada há a recear na morte encontre algo que recear na vida. Assim, também é tolo quem diz que receia a morte não por ser dolorosa quando chegar mas por ser dolorosa a sua antecipação; pois o que não é um peso quando está presente é doloroso sem razão quando é antecipado. A morte, o mais temido dos males, não nos diz consequentemente respeito; pois enquanto existimos a morte não está presente, e quando a morte está presente nós já não existimos. Nada é portanto nem para os vivos nem para os mortos visto que não está presente nos vivos, e os mortos já não são.

Mas os homens em geral por vezes fogem da morte como o maior dos males, por vezes almejam-na como um alívio para os males da vida. O homem sábio nem renuncia à vida nem receia o seu fim; pois a vida não o ofende, nem supõe que não viver é de algum modo um mal. Tal como não escolhe a comida da qual há maior quantidade mas a que é mais agradável, também não procura a satisfação da vida mais longa mas sim a da mais feliz.

Quem aconselha o jovem a viver bem e o velho a morrer bem é tolo não apenas porque a vida é desejável, mas também porque a arte de viver bem e a arte de morrer bem são uma só. Contudo, muito pior é quem diz que é bom não ter nascido mas, uma vez nascido, que o melhor é passar depressa pelos portões do Hades.

Se um homem diz isto e realmente acredita nisto, por que razão não se retira da vida? Certamente que os meios estão à mão se for realmente essa a sua convicção. Se o diz a zombar, é visto como um tolo entre quem não aceita o seu ensinamento.

Lembra-te que o futuro nem é nosso nem é completamente não nosso, de modo que nem podemos contar que virá de certeza nem podemos abandonar a esperança nele com a certeza de que não virá.

Tens de considerar que alguns desejos são naturais, outros vãos, e dos que são naturais alguns são necessários e outros apenas naturais. Dos desejos naturais, alguns são necessários para a felicidade, alguns para o bem-estar do corpo, alguns para a própria vida. O homem que tem um conhecimento perfeito disto saberá como fazer toda a sua escolha ou rejeição tender para ganhar saúde do corpo e paz de espírito, dado que este é o fim último da vida bem-aventurada. Pois para alcançar este fim, nomeadamente a libertação da dor e do medo, fazemos tudo. Quando se atinge esta condição, toda a tempestade da alma sossega, dado que a criatura nada mais precisa de fazer para procurar algo que lhe falte, nem de procurar qualquer outra coisa para completar o bem-estar da alma e do corpo. Pois só sentimos a falta de prazer quando sentimos dor com a sua ausência; mas quando não sentimos dor já não precisamos de prazer. Por esta razão, dizemos que o prazer é o princípio e o fim da vida bem-aventurada. Reconhecemos o prazer como o bem primeiro e natural; partindo do prazer, aceitamos ou rejeitamos; e regressamos a isto ao ajuizar toda a coisa boa, usando este sentimento de prazer como o nosso guia.

Precisamente porque o prazer é o bem principal e natural, não escolhemos todo o prazer, mas por vezes abstemo-nos de prazeres se estes forem cancelados pelas privações que se seguem; e consideramos muitas dores melhores do que prazeres quando um maior prazer virá até nós depois de termos sofrido dores demoradas. Todo o prazer é um bem dado ter uma natureza congénere da nossa; contudo, nem todo o prazer deve ser escolhido. De igual modo, toda a dor é um mal, contudo nem toda a dor é de natureza a ser evitada em todas as ocasiões. Pesando e olhando para as vantagens e desvantagens, é apropriado decidir todas estas coisas; pois em certas circunstâncias tratamos o bem como mal e, igualmente, o mal como bem.

Encaramos a auto-suficiência como um grande bem, não para que possamos desfrutar apenas de poucas coisas, mas para que, se não tivermos muitas, nos possamos satisfazer com as poucas, estando firmemente persuadidos de que quem retira o maior prazer do luxo é quem o encara como menos preciso, e que tudo o que é natural se obtém facilmente, ao passo que os prazeres vãos são difíceis de obter. Na verdade, temperos simples dão um prazer igual ao dos banquetes pródigos quando a dor devida à necessidade for removida; e pão e água dão o máximo prazer quando uma pessoa necessitada os consome. Estar acostumado à vida simples e básica conduz à saúde e faz um homem ficar pronto a enfrentar as tarefas necessárias da vida. Prepara-nos também melhor para usufruir o luxo se por vezes tivermos a sorte de o encontrar, e faz-nos intrépidos face à fortuna.

Quando dizemos que o prazer é o fim, não queremos dizer o prazer do extravagante ou o que depende da satisfação física — como pensam algumas pessoas que não compreendem os nossos ensinamentos, discordam deles ou os interpretam malevolamente — mas por prazer queremos dizer o estado em que o corpo se libertou da dor e a mente da ansiedade. Nem beber e dançar continuamente, nem o amor sexual, nem a fruição de peixe ou seja o que for que a mesa luxuosa oferece gera a vida agradável; ao invés, esta é produzida pela razão que é sóbria, que examina o motivo de toda a escolha e rejeição, e que afasta todas aquelas opiniões através das quais a mente fica dominada pelo maior tumulto.

De tudo isto o bem inicial e principal é a prudência. Por esta razão, a prudência é mais preciosa do que a própria filosofia. Todas as outras virtudes nascem dela. Ensina-nos que não é possível viver agradavelmente sem ao mesmo tempo viver prudentemente, nobremente e justamente, nem viver prudentemente, nobremente e justamente sem viver agradavelmente; pois as virtudes cresceram em união íntima com a vida agradável, e a vida agradável não pode ser separada das virtudes.

Quem pensas então que é superior ao homem prudente, que tem opiniões reverentes sobre os deuses, que não tem qualquer medo da morte, que descobriu qual é o maior bem da vida e que compreende que o mais alto bem é fácil de alcançar e manter e que o extremo do mal tem limites no tempo ou no sofrimento, e que se ri do que algumas pessoas inventaram como a regente de todas as coisas, a Necessidade? Ele pensa que o poder de decisão principal nos cabe a nós, apesar de algumas coisas surgirem por necessidade, algumas por acaso e algumas pelas nossas próprias vontades; pois ele vê que a necessidade é irresponsável e o acaso incerto, mas que as nossas acções não estão sujeitas a qualquer poder. É por esta razão que as nossas acções merecem louvor ou censura. Seria melhor aceitar o mito sobre os deuses do que ser um escravo do determinismo dos físicos; pois o mito sugere uma esperança de graça através das honras concedidas aos deuses, mas a necessidade do determinismo é inescapável. Visto que o homem prudente não encara, como muitos, o acaso como um deus (pois os deuses nada fazem de maneira desordenada) ou como uma causa instável de todas as coisas, acredita que o acaso não dá ao homem o bem e o mal para fazer a sua vida feliz ou miserável, mas que fornece oportunidades para grandes bens ou males. Finalmente, ele pensa que é melhor encontrar o infortúnio quando se age com razão do que calhar a ter boa fortuna ao agir insensatamente; pois é melhor não ocorrer o que foi bem planeado nas nossas acções do que ser bem-sucedido por acaso o que foi mal planeado.

Medita nestes preceitos e noutros como estes, de dia e de noite, sozinho ou com um amigo da mesma opinião. Então nunca terás receio, de dia ou de noite; mas viverás como um deus entre os homens; pois a vida no seio de bem-aventuranças imortais não é de modo algum como a vida de um mero mortal.

6 de ago de 2009

27 de jul de 2009

amor de boa qualidade

O psiquiatra Flávio Gikovate ensina que a paixão é o amor de boa qualidade acrescido do componente medo. Diz ele: “Quando o medo diminui, a serenidade chega ao amor. Quem tem coragem de enfrentar o início turbulento vive a melhor das relações”. Quando se vence o medo, permanece este amor que ele chama de “mais amor” ou “amor de boa qualidade”, em que presentes o aconchego, a harmonia, a serenidade. Esta relação amorosa representa o porto seguro no qual todos procuramos atracar em meio às intempéries da vida. Meus filhos, parece-me, venceram o medo e encontraram este porto. Estou muito feliz!
Não há manual de amor de boa qualidade nem eu sou mestre no assunto, apesar de ter amado muito e continuar amando muito. Mas faço aos meus filhos algumas recomendações, frutos da experiência, para que eles construam permanentemente a sua felicidade e conservem o amor que hoje vivenciam:

i. Valorizem as afinidades, os interesses comuns, os projetos comuns;
ii. Comuniquem-se muito e sempre: nunca digam menos nem mais do que é preciso ser dito; o casamento é um acordo de vontades em que se estabelecem as regras para esta que deve ser a mais íntima e profunda das relações; estas regras devem ser claras. A relação deve pautar-se pela transparência e pela sinceridade;
iii. Sejam amigos íntimos que se aconchegam física e intelectualmente; a palavra chave é “cumplicidade”;
iv. Respeitem a liberdade e a individualidade do outro. Amor e liberdade não são incompatíveis; amor e irresponsabilidade, amor e mentira, estes o são;
v. Não desistam fácil, diante da primeira ou segunda dificuldade encontrada. Toda relação, como tudo na vida, tem seus altos e baixos. Porém, fiquem atentos: o prazer deve prevalecer sobre a dor; se a dor vira sofrimento, e passa a preponderar, é preciso fazer algo urgente, porque, parodiando Roberto Freire, sem tesão não há razão.

21 de jul de 2009

Complices

Cómplices
Luis Miguel

Composição: Indisponível

Eres tú en el delirio en la pasión
Mi aliada en fantasías
Erotismo sin medida que supera la razón

Eres tú en el delirio en la pasión
La respuesta enloquecida
Que supera siempre a mi imaginación

Inventamos maquinamos
Situaciones no estrenadas
Provocamos con palabras
Nuestro fuego abrasador

Tú y yo somos cómplices en el amor
Lo que quieres tú lo quiero yo
Lo que nadie nunca se imaginaría
Las locuras más divinas

Tú y yo somos cómplices en el amor
Lo que piensas tú lo pienso yo
Lo que sientes tu, es lo que siento yo
Y es por eso que morimos abrazados en un beso
Nadie sabe lo bonito que es amarnos tú y yo

Eres tú en el delirio en la pasión
La respuesta enloquecida
Que supera siempre a mi imaginación

Inventamos maquinamos
Situaciones no estrenadas
Provocamos con palabras
Nuestro fuego abrasador

Tú y yo somos cómplices en el amor
Lo que quieres tú lo quiero yo
Lo que nadie nunca se imaginaría
Las locuras más divinas

Tú y yo somos cómplices en el amor
Lo que piensas tú lo pienso yo
Lo que sientes tú, es lo que siento yo
Y es por eso que morimos abrazados en un beso
Nadie sabe lo bonito que es amarnos tú y yo

Meu bem, meu mal

Meu Bem, Meu Mal
Caetano Veloso

Composição: Caetano Veloso

Você é meu caminho
Meu vinho, meu vício
Desde o início estava você

Meu bálsamo benígno
Meu signo, meu guru
Porto seguro onde eu voltei

Meu mar e minha mãe
Meu medo e meu champagne
Visão do espaço sideral

Onde o que eu sou se afoga
Meu fumo e minha ioga
Você é minha droga
Paixão e carnaval

Meu zem, meu bem, meu mal

14 de jul de 2009

festas julinas


Julho é um mês especial, cheio de datas importantes, a começar pelo dia 1º, dia do meu aniversário. Depois, July 4th, Independence Day, dia 13, Dia do Rock´n´Roll, hoje, 14 Juillet, La prise de la Bastille, dia nacional da França. Ontem, foi dia de agradecer aos roqueiros que me mostraram o valor da arte como meio de provocação, de estímulo ao inconformismo, e de prazer também, claro. Faz chacoalhar e gritar. Para citar alguns que admiro e que sempre me provocam o desejo de pegar uma guitarra e sair cantando e pulando: The Beattles, The Who, Led Zepellin, Deep Purple, Queen, Dire Strait, Eric Clapton, Santana, U2, Pearl Jam, Legião Urbana, Barão Vermelho, O Rappa...Vê-se que é o mês de revoluções. Revoluções voltadas essencialmente para a liberdade individual (é verdade que a revolução francesa depois desandou a rolar cabeças)em oposição a castas privilegiadas instaladas no Estado (L´Etat c´est moi). Revoluções trazidas pelas luzes que desafiaram eras de trevas, em que a razão passou a sobrepor-se aos mitos e a vencer as forças que castravam a criatividade e o desenvolvimento humano, as mesmas que estabeleceram ser proibido comer do fruto do conhecimento, ser proibido pensar. O Rock´n´roll nos grita: este quadrado no qual nos querem manter presos é muito pequeno para nós! Eu digo: a exemplo do que ocorre com o som da guitarra e da bateria, viver deve ser um processo de expansão não de contração. Seja livre e celebre todo dia a liberdade.

9 de jul de 2009

Deu vontade de ir embora

Lauro Jardim noticiou em seu blog na Veja.com que uma pesquisa feita pelo Senado concluiu que menos de 30% dos entrevistados sabiam que Sarney era presidente do Senado e estavam a par dos últimos escândalos daquela casa, e que, destes, em torno de 70% achavam que Sarney estava conduzindo de forma razoável, boa, ou ótima, a situação. Se eu não fosse um brasileiro típico, resultado de uma miscigenação centenária, estaria pedindo, como muita gente, a nacionalidade italiana ou espanhola, para escapar o mais rápido possível dessa ilha de loucos. Claro, se a pesquisa é séria ( será que pode vir algo sério desse Senado?), a maioria dos brasileiros é ignorante, a outra, em sua maioria, é lunática. Sarney (e Lula) alega que a sua história merece respeito porque ele não é um cidadão comum. Pelo o que ele fez pelo Brasil. Bom, tudo o que ele fez pelo Brasil foi um desastre, desde os seus planos econômicos, até o desenvolvimento do Maranhão e do Amapá. Vamos acordar ou não. Ou será que devo seguir o conselho dos militares na época do Médici: ame-o ou deixe-o!?

8 de jul de 2009

Política brasileira

Nas próximas eleições parlamentares precisamos limpar o Congresso Nacional, renová-lo inteiramente, não reelegendo ninguém, muito menos a turma do Sarney e do Mercadante. Nas presidenciais, nada de gente do Sr. Lula. Basta de corrupção! Basta de políticos se lixando para nós e mentindo descaradamente ao afirmar que tudo o que há de bom foram eles que fizeram e tudo o mais é culpa dos outros. Chega de sustentar com o nosso dinheiro, duro de ganhar, os privilégios de uma "nobreza" tardia, medieval, que usufrui da boa vida às nossas custas sem efetivamente trabalhar, produzir, merecer os frutos do capitalismo que tanto condenam. Queremos uma República de verdade, onde todos são iguais perante a lei, e usufruem segundo o seu mérito, e são punidos segundo o seu demérito. Não admitimos que nos imponham a condição de vassalos. Queremos um país em que prevaleça a liberdade pautada pela responsabilidade, em que haja mais ética e menos violência, mais oportunidades e menos paternalismo hipócrita. Queremos um país civilizado, não um país bárbaro.

7 de jul de 2009

O escritor pós-moderno Neil Gaiman é um dos mais influentes e interessantes da atualidade.


FLIP Gaiman e Dawkins


No ano passado, tentei ir ao Festival Literário de Paraty para conhecer de perto Neil Gaiman, não consegui. Este ano, nem tentei, mas gostaria de ter ouvido de viva voz Richard Dawkins. Gaiman produz o que há de melhor em ficção, Dawkins acerca da realidade, ambos com paixão, sem o que nada de grandioso se faz. Gaiman é um artista que cria deuses e demônios, anjos celestiais e anjos caídos, vampiros e vampiras, seres que povoam nossos sonhos e nossos pesadelos. É um ficcionista extremamente hábil, que se vale com perspicácia dos mitos elaborados por nossa cultura para contar histórias fascinantes. Já Dawkins é um cientista, icnoclasta, polemista de mão cheia. Sua obra é voltada para enobrecer a razão e destruir mitos, especialmente um: o deus das religiões monoteístas. Ele defende e esclarece Darwin e a teoria da evolução como ninguém, nos mostrando o que efetivamente somos ( nada a ver com reencarnações quânticas). Suas ideias fascinam igualmente e convertem. Não há contradição em admirar um e outro, um e outro atuam em campos diferentes, ambos igualmente relevantes. O primeiro com o lúdico, o outro, com o real. O lúdico torna o real suportável, mais leve; o real revela a verdade necessária, sem a qual vive-se alienado, zanzando sem rumo nos corredores do hospício. Tanto Gaiman quanto Dawkins exalam arte. O essencial é saber distinguir a ficção do real e o papel de uma e de outro, e se deliciar com os dois.

6 de jul de 2009

4 de julho

Viva a Liberdade!


meu aniversário

Semana passada, 1 de julho, fiz 48 anos de idade. Até então, a data do meu aniversário produzia em mim questionamentos existenciais tão angustiantes que, não raramente, eu vivenciava momentos de crise pela falta de respostas convincentes. Experimentava uma insatisfação permanente por não compreender com clareza a razão do meu existir, a causa e o fim de tudo, apesar da busca quase que insana em livros escritos por pessoas do Ocidente e do Oriente, consideradas sábias ou iluminadas, fundadoras de escolas filosóficas e religiosas, exotéricas e esotéricas.
Não só li muito, mas refleti muito, e até meditei e rezei, submetendo-me a rituais cansativos e vazios de verdade, criados por castas sacerdotais para controlar o inconformismo humano pela manipulação do medo da morte que tende a dominar a nossa natureza. Eu nunca tive medo da morte e, por isso, os sacerdotes nunca conseguiram me controlar. Porém, uma coisa me acorrentava: a crença, passada de pai para filho, de que a resposta às minhas dúvidas estava em Deus e que, se eu conseguisse me comunicar com ele, eu alcançaria a verdade tão procurada. “Eu sou a verdade, o caminho e a luz...”, disse Jesus. Eu sempre tive muita ânsia de saber e de viver com sabedoria, para não morrer em vão. Por que não tentar, por meio dele!?
Mas dele só conheci o silêncio e a sombria presença de um pai castrador, com o seu dedo inquisitor apontando para minha face. Percebi, então, que o problema era este: crer em Deus. A partir do momento que me libertei de Deus e de seus sacerdotes, eu descobri a liberdade de ser, a alegria de ser. Percebi que a vida é isso aí, a vida simplesmente, sem explicação. Ou melhor, sou resultado da seleção natural. E isso só pode ser motivo de alegria. Eu venci, e os meus descendentes hão de vencer, porque eles e eu usaremos os meios que a evolução nos ofereceu para superarmos os limites traçados pelo ambiente hostil. E vivo o agora, sem culpa. Não sou irresponsável, mas não sou responsável pelas mazelas do mundo. Sou responsável pelos meus atos apenas. Segundo a ética utilitarista na qual acredito, com base na razão. Segundo o humanismo secular. Por isso, nestes 48 anos não enfrento crises. Sinto-me feliz, preparando-me para os 50, meio século de existência, marco existencial. E, desde já, me preparo para comemorar os 50 na Grécia, berço desta civilização que eu amo, Grécia que nos ensinou a filosofar e nos legou sabedoria a respeito do que há de mais fascinante: o ser humano e o Cósmos no qual ele está inserido.

29 de jun de 2009

2 poemas rupestres

ENUNCIADO


Agora não posso mais priscar na areia quente
que nem os lambaris que escaparam do anzol.
Não posso mais correr nas chuvas na moda que
os bezerros correm.
Nem posso mais dar saltos-mortais nos ventos.
Agora
Eu passo as minhas horas a brincar com palavras.
Brinco de carnaval.
Hoje amarrei no rosto das palavras minha máscara.
Faço o que posso.

Manoel de Barros

O CASACO

Um homem estava anoitecido.
Se sentia por dentro um trapo social.
Igual se, por fora, usasse um casaco rasgado
e sujo.
Tentou sair da angústia
Isto ser:
Ele queria jogar o casaco rasgado e sujo no
lixo.
Ele queria amanhecer.

Manoel de Barros

28 de jun de 2009

simplicidade


Li, recentemente, um artigo informando que várias pessoas, em virtude da crise econômica, estão adotando uma vida mais simples, frugal até. Muitas delas, por falta de dinheiro simplesmente; algumas, por se conscientizarem de que o consumo exagerado de bens e serviços produz mais estresse do que prazer. Aquelas, depois da crise voltarão a consumir despreocupadamente, estas, prosseguirão com uma nova filosofia de vida. Com a idéia de que não se deve possuir mais do que o realmente necessário, eu já concordava muito antes da crise. Aprendi, há muito, com Gandhi, que, se você possui dois pares de sapatos, é provável que alguém esteja descalço. De fato, eu só preciso de um par de sapatos pretos e de outro de marrons para combinar com os ternos escuros e claros, respectivamente, mas bem engraxados. Verdade que tenho alguns pares de tênis também, uma mania que estou controlando. Verdade também que minha compaixão não é mais como era naqueles tempos idealistas, quando conheci a biografia e o pensamento do líder indiano. Hoje penso que ninguém deve receber nada de graça, tem que fazer por merecer, para dar valor ao que possui. Ainda acredito na simplicidade, e, também, no utilitarismo, isto é, devemos possuir o que é realmente necessário e útil, e nos preocupar com as conseqüências de nossos hábitos de consumo sobre nós mesmos e sobre o meio em que vivemos. Tenho feito coisas básicas em relação à proteção do meio ambiente e à diminuição do efeito estufa, insuficientes, eu sei, mas um começo: fico menos tempo no chuveiro, apesar de gostar de ficar debaixo da água quente pensando na vida; controlo o consumo de água ao lavar louça, escovar os dentes e fazer a barba; apago a luz quando saio do local; uso menos o automóvel e ando mais; separo o lixo orgânico; economizo folhas de papel, evitando impressões desnecessárias; acima de tudo, evito desperdícios. No que diz respeito ao consumo, eu, antes de comprar algo, pergunto-me se eu tenho condições financeiras, depois se eu preciso ( não pergunto se eu mereço, porque a resposta seria sempre afirmativa). Começo a considerar, no momento da compra, a responsabilidade social e ecológica do produtor, por exemplo, se ele não desrespeita os direitos básicos dos seus empregados ou se não utiliza madeira proveniente de desmatamento ilegal; se o produto é reciclável; se o alimento é orgânico... Falando em alimentos, comer menos é melhor (sem perder a graça e o sabor jamas), revela a ciência. E estou nesse caminho, o famoso caminho do meio. Esse meu comportamento está ligado ao meu desejo de alcançar maior equilíbrio interno e, a partir daí, uma relação mais harmônica com as pessoas e com as coisas do mundo, vontade esta que não é recente mas que estava exilada em algum canto escondido da alma. Não quero mais me desgastar física e mentalmente com coisas desimportantes ou desnecessárias. Meu tempo e minha energia são cada vez mais preciosos, tendo em vista que estou cada vez mais próximo dos cinqüenta. Quero sim a sabedoria para identificar o que vale a pena e aí então lutar muito para obtê-lo e conservá-lo. Algo que vale a pena é contribuir para que meus filhos, netos e os que vierem depois encontrem uma qualidade de vida melhor, um planeta ainda belo, e uma sociedade mais ética, com menos corrupção e violência. Enfim, preservar o que é bom e eliminar o que não presta, substituindo-o por algo melhor. Como distinguir o que é bom do que não o é? Este conhecimento a humanidade vem produzindo por milênios e o transmitindo por meio de mestres. É se utilizar da razão crítica ( jamais se deixar levar pela fé cega) e, por que não?, da intuição, para colher e apreender as boas lições e colocá-las em prática. E criar novas lições. Atenção! Cuidado! O que não falta são os falsos profetas e os iluminados sem luz própria. Encerro com a saudação vulcana do Sr. Spock: “Vida longa e prosperidade”.

25 de jun de 2009

Poema Erótico

A exemplo do FLIP, aonde, infelizmente, não poderei estar, também eu presto homenagem ao grande poeta:


"Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...

Teu corpo é tudo o que cheira..
Rosa... flor de laranjeira...

Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado...

Teu corpo é pomo doirado

Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...

Teu corpo é a brasa do lume...

Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...

É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...

Volúpia da água e da chama...

A todo o momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...

Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira..."

Manuel Bandeira

20 de jun de 2009

Tão longe, tão perto

Você tão longe, tão longe, pra lá das chapadas goianas
Pra lá das montanhas de Minas, lá onde São Paulo é interior
Eu aqui, aqui só, cerrado dentro, sonhando consigo na distância

Meu corpo nu anseia cobrir-se com a nudez caliente do seu corpo
E enxotar o inverno esparramado em minha cama king size
Vazia do seu cheiro de mulher recém banhada de água e rosas

Minh’alma delira a sua presença fantasmagórica e abraça com fervor
O travesseiro e toda imagem que de sua ausência emana
E se deita no seu lado para se embriagar do que resta de se sua fragrância

Beijo o beija-flor batendo asas e sugando o lírio gravado em seu pé
Mordisco o bico dos seus seios, os dedos pressionando os pontos G
Brinco com a sua língua, saboreando a saliva, tateando suas curvas formosas

Extasiado, não é mais alucinação, é sonho em alpha
E você presente, no capuccino que beberico pela manhã
E você presente, no vinho que saboreio à noite.

Você, tão longe, tão perto...

c cardoso

17 de jun de 2009

Amiga

Minha amiga, nosso tempo de amor terminou
Por que? Não sei, ninguém explicou
Como tudo, na vida, expirou simplesmente
Não se arrependa, eu não me arrependo
Foi como devia ser, lindo
Dói? Não há o que fazer, infelizmente
Não chore, desculpe
Fiz o melhor, não me culpe
Como tudo o que é da vida, vai passar
Eu passei, não desista de amar
Dê tempo ao tempo, permaneça minha amiga

c cardoso

16 de jun de 2009

Somos livres e responsáveis por nossas ações


Sartre dizia que a existência precede o ser, isto é, que existimos primeiro como uma folha em branco e que, em essência livres, vamos escrevendo nessa folha o nosso modo de ser. E ressalta a gigantesca responsabilidade, quase insuportável, que essa liberdade põe em nossos ombros. Não sem razão, a maioria de nós prefere abrir mão dessa liberdade ou negar que ela exista, para jogar a responsabilidade nas costas dos outros. A primeira culpa atribuímos à serpente e, depois, à mulher Eva. Em seguida, acusamos os pais ( que nos trouxeram para esse mundo de dor e nos impregnaram de sua cultura reacionária), o povo (do qual nos excluímos), o governo e os políticos (como se eles não estivessem aonde estão por escolha ou omissão nossa), a burguesia ( que nos impõe angústias e prazeres), os imperialistas ( que exploram as nossas fraquezas mas nos disponibilizam Ipods, Iphones e música pop)... os outros, sempre os outros são os culpados. O inferno são os outros, diz umn personagem sartriano. Afinal, os outros são castradores, alegamos. Na verdade, nós somos castradores de nós mesmos, porque odiamos responsabilidades. Não nego que há fatores externos e internos nos influenciando desde o DNA. Não nego a influência de Eva, dos pais, do governo e dos políticos, do nosso povo e de nossa cultura. O que afirmo é que podemos superar essas influências e sermos a concretização dos nossos projetos. Não fora assim, ainda seríamos primitivos sobrevivendo às intempéries por meio da caça. Não fora assim, Chaplin, filho de um alcoólatra e de uma louca não seria Chaplin; o mulato Machado de Assis não seria o fantástico escritor brasileiro Machado de Assis; os negros Martin Luther King e Nelson Mandela não teriam sido os lideres que foram; o filho ilegítimo Leonardo da Vinci não seria a expressão da genialidade renascentista; a russa Ayn Rand, vitima da revolução de 1914, não seria um fenômeno literário e filosófico libertário americano... É a nossa capacidade de escolha e a nosso compromisso com ela que faz com que superemos os limites estabelecidos por forças alheias à nossa vontade. Se desejamos ser mais que marionetes, precisamos assumir nossa liberdade e a responsabilidade dela decorrente. Necessitamos carregar o peso e não atribuir-lhe a outros. Lutar pela liberdade e escrever a nossa história. E fazer que esta história valha para a posteridade. Porque não há nada mais além disso. Por isso Sartre, apesar de alguma de suas escolhas equivocadas, como a opção pela esquerda, pelo stalinismo e depois pelo maoísmo, ainda está vivo.

14 de jun de 2009

Dia dos namorados

Também deixei passar o dia dos namorados sem escrever nada. Mea Culpa mea maxima culpa. Não por falta de namorada. Para ela escrevi, mas para ela. Vai aqui, para ela e para todos os namorados, versos do grande Vinícius:
http://www.viniciusdemoraes.com.br/

Minha namorada

Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser

Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber por quê

Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer

Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
Os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois

Aniversário de Fernando Pessoa

Desculpem-me, o aniversário do mestre foi ontem. Mas nunca é tarde se há arte. Vai um poema dele, colhido de www.pessoa.art.br:

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar pela vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,
O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui – ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado –,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…

{Álvaro de Campos, Poemas}

m c escher

Meu filho, que me ensina muito acerca da modernidade, me mostrou esta imagem de M C Escher, e eu fiquei fascinado. Ela retrata perfeitamente a figura do homem que se situa diante da existência e filosofa, daquele que não se conforma simplesmente com o ser, estar e ter, e deseja respostas. E manifesta sua insatisfação perene. Ela me espelha. Sou eu encarando o meu ser na bola de cristal, enxergando o que eu tenho de luminoso e o que eu tenho de sombrio. Sou eu me fazendo as questões básicas: quem eu sou? por que eu sou? para que eu sou? donde vim, para onde vou? Que genial esse artista que é capaz de expressar por meio da arte do desenho a angústia do homem pensante. Perfeito!


8 de jun de 2009

David Carradine


Foi com tristeza que recebi a notícia da morte de David Carradine, a quem admirava da época da série "Kung Fu". Que garoto franzino, nascido na década de 60, não se entusiasmava com o "Gafanhoto" Caine que, por meio da filosofia oriental e das habilidades de um mestre nas artes marciais enfrentava os mais fortes e vencia injustiças e preconceitos!? Carradine atuou também em um filme que sempre gosto de citar quando me refiro às ameaças à liberdade e à democracia: "O Ovo da Serpente", de Ingmar Bergman.

1984, o filme


Assisti, no Sábado, o filme “1984”, versão cinematográfica da obra-prima de George Orwell, felizmente relançado em DVD. É um filme pesado, chocante pelo realismo, com cenas de lavagem cerebral, de enforcamentos, de fuzilamentos e de torturas. Talvez por ser mais acessível, do que o livro, a um público maior e menos letrado, ele seja mais eficiente quanto ao alerta contra os regimes políticos autoritários e devia ser mais divulgado. Ele ressalta características comuns a esses regimes, sejam eles de direita ou de esquerda: a supressão das liberdades individuais, sob o argumento de que o fazem em prol da coletividade, a começar pelas de pensamento e de imprensa; a manipulação das massas e das informações a elas destinadas, criando algo como que um estado de hipnose coletiva; a dominação por um partido único, O Partido, tratado como ente sagrado, inatacável, sob a liderança de O Líder, insubstituível, intocável, mítico, messiânico (culto à personalidade tão bem conhecido); a submissão dos opositores do Líder e do Partido à degradação física e moral, sob os aplausos da opinião pública, apontando-os como traidores da pátria e inimigos do povo, a serviço de grupos terroristas ou de interesses estrangeiros e de países imperialistas. Medidas adotadas pelos governos, tendentes a suprimir liberdades individuais, a calar a Imprensa, a manipular massas e informações, a ocupar a máquina estatal com membros do Partido, a endeusar o Líder, a eliminar a oposição, devem ser vistas como ameaça à Democracia e ser coibidas antes que seja tarde demais.

7 de jun de 2009

tatuagem

O lobo uiva na minha pele uma canção de liberdade: Eu sou livre...Eu sou livre



3 de jun de 2009

F Pessoa


Pessoa(i)s

A Fernando Pessoa

Olá, Pessoa!
Aí, além das correntes assombrosas e temperamentais
Do oceano turvo que desemboca no Tejo,
Sentado à mesa do A Brasileira,
Não sei se navegando longe com os olhos do Infante
Ou mergulhando dentro com a visão do Iniciado.
Cosmonauta do íntimo do íntimo, me diz:
Que gosto ardente tem a Águia Real?
Conta sobre suas viagens alçadas com asas etílicas.
Posso eu compartilhar dessa mesa seleta?
Álvaro.
Ricardo.
Salve, Alberto! E os outros...
A vida é menos que nada,
Mas vale pelo que se vislumbra sob o véu transparente,
Cobrindo os alvos corpos das dançarinas esculturais
Que bailam ao som da flauta dos faunos.
Quisera eu ser um fingidor, Fernando,
Declamar verdades com o ritmo dos sonhos,
Pacificar os muitos eus
Que vagueiam em minhas visceras
Como fantasmas pintados por Chagall,
Curar os muitos meus
Que sobrevivem aos arames farpados do mundo
Como mortos-vivos descritos pelos jornais.
Segreda-me:
O que é verdade, o que é mentira?
Como embelezar a dor, como inventar a alegria?
Segreda-me, antes que as cadeiras sejam colocadas sob as mesas,
Antes que eu retorne e seja carcomido pelos vermes dos Trópicos.

c cardoso

28 de mai de 2009

Magnífico

24 de mai de 2009

ateísmo

Uma amiga mostrou-me um texto de Alex Castro acerca do ateísmo. Ele, embora ateu, critica os ateus que se comportam dogmaticamente como os religiosos por eles atacados. Concordo com a visão dele a respeito. Eu que sempre fui um livre pensador, mas também fui seduzido pela necessidade de crer, e, por isso, conheci o sentimento da intolerância dos religiosos, percebi o quanto é perigoso o dogmático. O dogmático me diz para ter cuidado com o relativismo e eu percebo os danos causados pelo absolutismo pregado pelos dogmáticos, religiosos ou não. Esses caras são aqueles que fazem fogueiras de livros. Eu sou daqueles que acredito na plena liberdade de expressão. Ninguém tem o direito de tutelar o que eu devo ler. Ninguém tem o direito de proibir o que eu tenho a dizer.
Um crítico diz: você critica muito, mas qual é a solução: a solução é não ser condescendente. É necessário punir o criminoso, tenha ele dez anos, ou seja ele o Presidente da República ou o Rei!

Um dia chegaremos lá?

A Inglaterra da "Mãe dos Parlamentos" está discutindo a sua democracia e o seu sistema político, a partir dos escândalos envolvendo pelo menos 80 dos membros da Câmara dos Comuns que usaram indevidamente verbas como a destinada a auxílio-moradia. O escândalo levou o Primeiro-Ministro Gordon Brown, líder do Partido Trabalhista, e David Cameron, o Líder da oposição, do Partido Conservador, que têm muitos envolvidos com a vergonha, a pedirem desculpas públicas. Os políticos envolvidos também pediram desculpas e devolveram aos cofres públicos os recursos indevidamente usados. Há o compromisso de que os políticos infratores não concorrerão nas próximas eleições. O fato levou, inclusive, o Presidente da Câmara dos Comuns, que não participou da farra mas foi omisso, a renunciar ao cargo. É que numa crise como esta, diz um articulista do The Guardian, os ingleses não querem desculpas, querem cabeças. Quantas semelhanças e diferenças com a realidade brasileira! Aqui também há abusos que não se limitam ao auxílio-moradia, há passagens aéreas, verbas de gabinete e inúmeras outras inomináveis. Mas ninguém sequer pede desculpas, os presidentes dos Poderes e da República acham até natural. E o povo não quer cabeças rolando, reelege simplesmente, fazendo valer a declaração cínica mas sincera do deputado gaúcho. É por isso que a Inglaterra é a Inglaterra e o Brasil é o Brasil!

21 de mai de 2009

A notícia abaixo é alarmante! Diz respeito a uma realidade que sinto bem próxima a mim: meu filho e a maioria de seus amigos estão desempregados, apesar de terem estudado nas melhores escolas e faculdades do país e de sua excelente formação. Esses jovens, com idade entre 20 e 25 anos, não pedem bolsa-família, não querem favores do Governo, e buscam desesperadamente manter-se à distância do seguro-desemprego. Não pretendem ficar sentados numa poltrona, à frente de uma televisão, jogando o tempo fora, e vivendo às custas dos pais ou do País. Eles almejam oportunidade de trabalho, se não por meio de emprego, por intermédio do empreendedorismo. Dados revelam que o brasileiro é muito empreendedor, embora grande parte não possua preparo para criar e manter viva uma empresa, o que tem levado muita gente de boa vontade ao fracasso empresarial em curto prazo de tempo. Em vez de ser um obstáculo à livre iniciativa, e satanizar o Capitalismo, o Estado brasileiro e aqueles que estão no seu comando ou a seu "serviço" (adoram falar mal das elites e da burguesia mas não dispensam de jeito nenhum os prazeres tipicamente elitistas e burgueses liberados no interior dos Poderes públicos e custeados pelos contribuintes) deveriam fazer menos discursos e atuar efetivamente na diminuição da burocracia e da carga tributária, estimulando o empreendedorismo, a criatividade, a aquisição, produção e distribuição de conhecimentos. Iniciativas como as do Sebrae e congêneres, de educação voltada para o empreendorismo, deveriam ser louvadas e incentivadas a se ampliarem. A visão empreendedora deveria ser ensinada já no jardim de infância, em substituição a esta visão paternalista que vem dos tempos da Colônia segundo a qual tudo depende do Estado.
Desemprego entre jovens é três vezes maior do que entre adultos
Karen Camacho - Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online



Um estudo divulgado nesta terça-feira, antecipado à Folha Online, detalha uma realidade que os jovens já percebem, na prática, a falta de emprego. Segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos é 3,5 vezes maior do que entre os trabalhadores considerados adultos, com mais de 24 anos. O estudo foi organizado por Jorge Abrahão de Castro e Luseni Aquino.

A taxa utilizada pelo estudo é de 2005 --para permitir a comparação com outros países-- e apresenta crescimento em relação a anos anteriores. Em 2000, o desemprego dos jovens era três vezes maior ao dos adultos, em 1995, 2,9 e, em 1990, 2,8 vezes.

O desemprego entre os jovens no Brasil também é um dos maiores entre dez países pesquisados, em relação a situação dos adultos, perdendo para a Itália (3,9), Suécia (3,8) e para o Reino Unido (3,6).

Abaixo do Brasil estão: Argentina (3,1), Estados Unidos (2,8), França (2,7), Espanha (2,6), México (2,4) e Alemanha (1,4).

O índice de desemprego entre os jovens é de 19%, aponta a pesquisa, a maior dos anos pesquisados: 18% (2000), 11% (1995), 7% (1990) e 6% (1985).

De acordo com o estudo, o desemprego é maior entre os jovens porque a demissão desses trabalhadores tem um custo mais baixo para as empresas e porque, por terem menos experiência, podem ser considerados menos "essenciais".

O dado, no entanto, é confrontado pela pesquisa pelo fato de os trabalhadores mais jovens apresentarem, em média, mais atributos de escolaridade na comparação com os mais velhos.

Os pesquisadores ressaltam, portanto, que, em um período de rápida transformação nos processos produtivos, as empresas podem ver vantagens em contratar funcionários com menos experiência.

Metade

Em 2005, 46,6% dos desempregados eram jovens, contra participação de 43,8% em 2000, de acordo com estudo. Em 1995, no entanto, os jovens eram 51,1% dos desempregados.

Esse índice é o mais alto na comparação com outros países pesquisados, à frente de México (40,4%), Argentina (39,6%), Reino Unido (38,6%), Suécia (33,3%), Estados Unidos (33,2%), Itália (25,9%), Espanha (25,6%), França (22,1%) e Alemanha (16,3%).

LOBO-GUARÁ

Nome comum: Lobo-guará ou lobo vermelho de “luvas” pretas
Nome em inglês: Maned Wolf
Nome em alemão: Mähnenwolf
Nome científico: Crysocyon brachyurus (Illeger, 1815)

Em inglês, a palavra “wolf” quer dizer lobo e a palavra “maned” pode significar crina de cavalo, juba de leão, longo cabelo no pescoço, etc.

Em tupi-guarani a palavra GUARÁ tem dois significados:
Guará (1): pássaro, ave das águas, pássaro branco muito comum nos manguezais (guará e garça).
Guará (2): o que devora , mamífero (lobo-guará) dos Cerrados e Pampas.

Este animal sempre foi chamado de lobo, entretanto o seu parente mais próximo é a raposa...


Distribuição geográfica: América do Sul – Argentina, Bolívia, Peru e, no Brasil, ocorre nas regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste, nos Estados Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Goiás (GO), Minas Gerais (MG) e São Paulo (SP). Também podemos encontrar em: BA, DF, MA, PR, RJ, RS, SC, TO...
Hábitos alimentares: Carnívoro, onívoro
Reprodução: Gestação de 62 a 66 dias, cerca de 65 dias.
Período de vida: Aproximadamente 13 anos, podendo chegar a 15 anos de idade.

É o maior canídeo da América do Sul. A cor geral é laranja-avermelhada; pernas e focinho negros. Pelos longos e macios. Cauda relativamente curta com a extremidade branca. Cabeça pequena; orelhas grandes; focinho afilado.

Pernas muito compridas diferencia e espécie dos demais canídeos. Habita lugares com muita vegetação natural; campos próximos a baixadas com capoeirões ou matas arbustivas.

Alimenta-se de insetos, roedores e aves e frutos silvestres com preferências aos frutos com muita polpa. Hábitos crepusculares noturnos; solitários e nadam muito à procura de alimento.

Originalmente, o lobo-guará era uma das espécies de canídeos mais típica do Cerrado brasileiro. Os longos membros e a pelagem vermelho-dourado, associada a uma crina negra que se estende do alto do crânio até as primeiras vértebras lombares, são características distintas da espécie.

As populações têm sofrido considerável declínio ao longo de sua área de ocorrência devido à constante expansão das fronteiras agrícolas e à caça predatória. O lobo-guará habita regiões de campos com vegetação arbórea escassa. Apesar de menos frequente, a espécie pode ainda ocupar áreas de banhados e alagados, assim como campos de altitudes situados acima de 1.500 metros.

De hábito noturno, o lobo-guará adulto pesa cerca de 20 a 30 quilogramas, mede 145 a 190 centímetros de comprimento e 80 cm de altura. É um animal solitário. Embora o casal ocupe a mesma área, completa sobreposição, as interações são raras, ocorrendo apenas na época de reprodução. Em cativeiro o período reprodutivo situa-se entre os meses de dezembro a junho.

O tamanho médio da prole é de 1 a 5 indivíduos. Em geral, apenas um adulto é responsável pelo cuidado dos filhotes (principalmente as fêmeas), o que dá por curto período de tempo, embora em cativeiro tenha sido registrada a participação do par reprodutivo nesta atividade.

Mas em cativeiro as fêmeas costumavam comer os filhotes... Descobriu-se porém que na natureza a “loba” troca os filhotes de toca a cada três dias, para enganar os predadores e, quando os zôos fizeram recintos com várias tocas, a reprodução tornou-se mais fácil.

A espécie pode ser considerada onívora (se alimentando de carne e frutos). Amostras de fezes coletadas em várias áreas estudadas revelam que em termos de volume, a lobeira ou fruta-do-lobo é um dos itens mais importantes na dieta.

Entre os outros componentes alimentares se destacam pequenos mamíferos e répteis, ratos, pássaros, lagartos, tatus e também outros frutos. Em várias localidades no Brasil são registrados ataques sobre criações de galinhas, especialmente durante a estação de reprodução.

São territoriais, ocupando o macho e a fêmea uma área de 25 a 30 quilômetros quadrados, dependendo da distribuição e abundância de recursos alimentares. Os conflitos intra-específicos originários das disputas territoriais são mais frequentes entre machos e se resumem a vocalizações e marcação de cheiro.

A perda de hábitat é uma das principais ameaças à sobrevivência desta espécie, sendo que grande parte de sua área de distribuição foi ocupada por empreendimentos agropecuários, embora alguns autores sugiram que as populações do lobo-guará possam se beneficiar dos primeiros estágios de desmatamento de uma área.

A predação ocasional direcionada a criações domésticas torna a espécie sujeita a pressão de caça. Sua suscetibilidade à doenças como parvovirose é responsável pela mortalidade de muitos indivíduos ao longo de sua área de ocorrência.

Aliado a esses fatores existem ainda as crendices populares, que associam a utilização de partes do corpo do lobo-guará à cura de doenças, ao aumento da potência sexual e à redução na incidência de picadas de cobra...

A criação em cativeiro não tem tido muito sucesso devido à alta taxa de mortalidade encontrada nas ninhadas. Em média, registra-se uma taxa de sobreviência em torno de 20%, sendo as principais causas da mortalidade a parvovirose dos filhotes provocado pelo estresse do cativeiro. A mortalidade também é alta entre os animais adultos, devido a infecção renal causada por parasitas.


O desenvolvimento de pesquisas para melhoria da reprodução desta espécie em cativeiro, bem como o tratamento daqueles apreendidos em criadouros ilegais, são medidas significativas para sua proteção. Grande parte dos animais apreendidos nestas condições morre em consequência da falta de cuidados básicos.

Campanhas de conscientização para a proteção da espécie podem reduzir a pressão de caça, inclusive através da desmistificação de crendices populares. Um controle mais eficiente sobre queimadas e desmatamentos é também uma medida importante para assegurar a disponibilidade de hábitat e de recursos alimentares para o lobo-guará.

No Parque Ecológico de Americana – São Paulo, um casal vive desde 1998 e é a primeira vez que se reproduz. Foi visto cruzamento nos dias 27 e 28 de março e na tarde do dia 29 de maio, nasceram 3 filhotes. A fêmea, que ocupa a toca principal do recinto, onde ocorreu o nascimento, passa o dia cuidando dos filhotes ou dormindo. O recinto de 776 metros quadrados foi isolado parcialmente da visitação pública com um fechamento utlizando um pano na tela da frente, evitando que os pais e filhotes fiquem assustados e esteja assegurado o sossego dos animais.

03/2005 – No Zooparque de Itatiba, também no Estado de São Paulo, existem 5 deles!

Curiosidade: na simbologia o lobo recebe inúmeras interpretações... Está associado ao demônio, às assombrações (mitos como o do lobisomem, por exemplo), mas também com a luz (por enxergar bem na escuridão) e com o espírito. Na China, é tido como o guardião das esferas celestiais. Na tradição ocidental, ele representa a figura do mestre, do instrutor espiritual. Símbolo da lua na antiga Grécia e das forças favoráveis na Roma dos Césares. Gêngis Khan, o grande conquistador mongol, possuía como ancestral um mítico lobo azul...

Fonte: www.girafamania.com.br

19 de mai de 2009

"Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável."

Kalil Gibran

18 de mai de 2009

Um slogan de maio de 1968 que deve ser lembrado maio a maio: "Viver sem tempos mortos, gozar a vida sem entraves"

17 de mai de 2009

Por que a cultura brasileira não valoriza heróis? Por que nossa literatura e nosso cinema raramente retratam heróis? Por que não temos HQs com super-heróis nacionais, criados por autores nacionais? Em regra, no Brasil, prefere-se dar forma ao anti-herói e contar a nossa história como uma comédia de mal-gosto.
Essas perguntas não as faço de hoje. Mas, recentemente, assistindo ao filme “Pale Rider” (O Cavaleiro Solitário), de e com Clint Eastwood, elas me voltaram à mente. Clint Eastwood é um “Pregador” que luta contra o homem mais poderoso do pedaço. O todo poderoso usa de todos os meio, inclusive da violência, para se apoderar das terras dos garimpeiros e do ouro que elas escondem. O “Pregador”, um homem visto como santo, os encoraja a resistirem. Ele conhece bem as armas do inimigo e sabe usá-las com precisão. Não tem pudor em utilizá-las. E, como é costumeiro e até engraçado nos filmes do gênero ( o tiro do mocinho é sempre certeiro e os inúmeros dos bandidos sempre errados), o herói sozinho derrota dezenas de vilões.
O filme nada tem de original, mas é interessante pela presença de Clint Eastwood, um diretor e um ator cada vez mais admirado por contar e representar histórias de pessoas com fibra, que não temem desafios, embora nem sempre vençam a última batalha. Contudo, fez-me refletir – e provocar a reflexão é algo que valorizo na arte – na importância do herói e na falta que ele faz.
Coloquialmente, chamamos de herói todo aquele que luta contra adversidades, com bravura, muitas vezes se sacrificando em prol de um desconhecido ou da nação. Existem centenas de heróis anônimos por este país afora. É de se mencionar como exemplo o dos bombeiros, que não só apagam incêndios, também salvam vidas arremessadas no trânsito e, até, fazem partos.
Porém, o herói que desejo destacar é o que luta pela justiça e pela liberdade, esse representado pelo “Pregador” do filme de Eastwood, e que o imaginário norte-americano, em especial, produz às pencas, enquanto o nosso parece desdenhar. A Justiça e a Liberdade são os valores supremos e, por isso, os heróis que lutam por elas devem ser exaltados entre todos e retirados do anonimato. Com super-poderes ou com o poder de uma colt, ou com o simples poder das palavras. Tiradentes e Zumbi dos Palmares são modelos históricos, que deveriam ser lembrados não só nos dias oficiais mas frequentemente, por meio das artes.
Enaltecer os heróis, os americanos sabem bem, e os gregos já o sabiam há milênios, tem um efeito multiplicador e engrandecedor da nação. O herói se incorpora ao inconsciente coletivo e faz com que acreditemos que podemos vencer qualquer inimigo, a injustiça e a opressão, a mentira e a corrupção. Eleva a auto-estima de um povo.
Não se está aqui fazendo apologia de pistoleiros que pretendem fazer justiça com as próprias mãos, como nos tempos das diligências, criando esquadrões da morte nas comunidades carentes, embora a sensação de se viver em uma terra sem lei as vezes provoque o desejo de pegar em armas e sair à caça de estupradores, homicidas e políticos corruptos... Felizmente vivemos em um Estado Democrático de Direito e a justiça deve ser feita segundo as leis. Porém, as leis devem ser elaboradas para funcionar, não para legitimar o ilegítimo nem para dar aparência de civilização à barbárie, sob pena de estimular a geração de justiceiros atuando à margem da lei, como o cinema não se cansa de alertar.
O que se pretende aqui é fazer a defesa dos que lutam incansavelmente pelas causas nobres, especialmente pela justiça e pela liberdade, muitas vezes sacrificando a própria vida ou a própria liberdade, porque, como diria Brecht, são eles que fazem a diferença e são indispensáveis.

11 de mai de 2009

O que eu posso te dar

Eu posso te dar um beijo?
Tu mereces tanto e
Eu quero te oferecer tanto
Mas só um beijo eu posso te dar

Um beijo ardente
Como a inesperada pimenta
Que torna levemente picante o sabor do chocolate

Sinta!
Há neste beijo o tesão
De me embebedar com a saliva destilada em sua boca

Eu posso fazer soar música em seus ouvidos
Tu mereces tanto e
Eu queria te oferecer tanto
Mas só música eu posso fazer soar

Uma música que vem dos recantos mais recônditos do meu ser
Que a gente não sabe se é de dor ou de prazer

Ouça!
Há neste canto uma súplica
De quem anseia insano
gozar o gozo dentro de ti

Eu posso construir poesia dedicada a ti
Tu mereces tanto e
Eu queria te oferecer tanto
Mas só poesia eu posso construir

Uma poesia extraída das águas mais profundas do nosso oceano
Tal qual óleo bruto combustível refinado
Que movimenta o nosso mundo outro de dimensões inexploradas

Compreenda!
Há neste uivo um desabafo agudo
De quem quer a entrega inteira
E não apenas se saciar de metades

c cardoso

9 de mai de 2009

Música

Olha, quero cantar-lhe algo
Sim, cantar uma musica apaixonada
Quero que esta paixão
Vibrando em mim, dentro de mim
Deixe você encantada

Se lhe contarem que eu não sei cantar
Não se importe
A paixão encarregou-se de me ensinar

Deixe-me, deixe-me então
Cantar
Talvez queira dançar

Você, sim, comigo

Luz pouca e um pouco de perfume no ar

Ah! A frescura do seu corpo apertado no meu

Giramos embriagados
Damos voltas alucinados

Se lhe parecer que faltou o chão, querida
Não se assuste
Somos agora uma só onda
Curvando-se ao compasso da musica

Já não nos guardam as quatro paredes
Não precisamos mais de sua proteção
Já não chegam aos nossos ouvidos o tic tac do tempo
Não precisamos mais estar despertos

Como notas do mesmo acorde, nos
Tocamos e vibramos

Se parece excitada, querida
Não se assuste
Somos dois corpos unidos
Numa forma única

Já não nos guardam as vestes
Não precisamos mais de sua proteção
Já não chegam os nossos ouvidos
A mentira e o ódio que dominam o mundo
Não precisamos mais estar despertos

Como notas do mesmo acorde, nos
Desejamos e amamos

c cardoso

8 de mai de 2009

Muros

Muro foi feito para unir os namorados,
Mureta de encosto para a paixão sem medos.
Aonde, alheio ao olhar de pessoas estranhas,
O casal se apossa e curte o infinito espaço.
E gruda frente e verso, ou seio com peito.
Laça, entrelaça, amassa, suave o aconchego do abraço.
Por segundos, olhos nos olhos, embevecidos desde as entranhas.
Depois, um mira distante, imaginando o jeito
De adiar o momento de dar o último beijo.
Aquele que só se dá a contragosto,
Porque chegada a hora de ir para o lado oposto.


Muro foi feito para desafiar os grafiteiros,
Mural de vanguardas formas para os viciados na viagem.
Aonde, alheio à censura dos críticos,
O artista meio desvela ocultos semblantes em riscos,
E desenha, pincela e colore apressado,
com a apreensão de quem caminha à margem.
Por segundos, teme ser pela autoridade algemado.
Depois, imagina o sonho, a galeria de arte,
O de não ter que correr atrás de dinheiro e ficar à parte.
Aquele momento – vislumbra - da entrevista no Jô, na Marília Gabriela,
Porque é chegada a hora de traduzir em palavras o que se vê na tela.

Muro foi feito para separar inimigos,
Muralha destinada a afastar a ameaça do horror.
Aonde, alerta contra homens-bombas e balas perdidas,
O indivíduo (des)armado resiste e reage ao torpor,
E trabalha duro, pela família, pela pátria, a sua senda.
Às vezes relaxa e goza, amiúde reza por perdão.
Por segundos, pensa que tudo (ou nada) é em vão.
Depois, segue em frente e cuida das feridas
Trazidas pela discórdia e pela ganância.
Aquele que teme ousa olhar o outro lado pela fenda
Porque é chegada a hora de conquistar paz e abundância.

c cardoso

28 de abr de 2009

Tributos

É possível que muita gente visite este blog esperando encontrar poesia ou crônicas divertidas e se decepcione por esbarrar em frequentes críticas ao Brasil e ao Estado brasileiro. Eu sei, ninguém gosta de ouvir críticas o tempo inteiro. É mesmo desagradável topar com alguém que só fala do lado negativo dos acontecimentos. Crítico de qualquer coisa é visto com reservas, porque, não raro, ele se situa na posição cômoda de quem apenas observa, sem jamais arriscar a por as mãos à obra. Eu também, claro, prefiro o que provoca regozijo ao que causa irritação. Não quero ser aquele de quem as pessoas fogem porque só fala do lado sombrio da vida. Por isso, desejo dar ênfase ao que eleva. Hoje, porém, é inevitável que eu aborde ainda um tema incômodo. É que, a exemplo de milhões, tive de prestar contas à Receita Federal e, pior, além da percepção do quanto de impostos eu paguei no ano passado, vou ter que pagar mais para saciar o insaciável apetite do Leão, consciente de que esse dinheiro vai para patrocinar a campanha eleitoreira da Dilma, a retórica burlesca do Lula ao redor do mundo, a falta de brio dos políticos de todas as esferas da Federação e de todos os Partidos, a vaidade do Judiciário, a ineficiência da burocracia estatal... Quando eu preciso da Saúde pública, da Educação pública, da Segurança pública, do transporte público, eles me viram a face e apontam o dedo para a iniciativa privada, a quem os hipócritas do Partido e seus aliados adoram destratar. Cospem no prato em que se lambuzam. A história mostra que muitas nobres cabeças rolaram e muitas revoluções foram feitas devido à cobrança abusiva de tributos e ao uso indevido dos recursos arrecadados. Mas no Brasil, depois de Tiradentes, ninguém quer arriscar a perder o pescoço. Como eu também não, resta-me gritar mas pagar.

17 de abr de 2009

Brasil por Kafka

Nos últimos meses tenho convivido mais intensamente com uma realidade "non sense" que aflige os cidadãos brasileiros: a criada pela burrocracia. Estou tentando vender o apartamento dos meus filhos. Já tenho o comprador, que pretende adquirir o imóvel com financiamento da Caixa Econômica Federal, aquela empresa pública que faz diariamente propaganda afirmando que o governo está realizando o sonho da casa própria de milhões. Ela exige dezenas de certidões e documentos produzidos por cartórios. Você obtém os documentos, leva a uma agência da Caixa, e é informado que está faltando outra certidão nunca antes mencionada. Vai atrás, e, quando consegue, descobre que a validade de outra certidão expirou, porque elas só têm validade por 30 dias. E as idas e vindas aos cartórios recomeçam, e os gastos com cartório não terminam. Negócio fabuloso o cartorário, em que carimbos e textos com estílos que refletem a cabeça de copiador de fórmulas trazidas pela Corte de D. joão VI, custam mais do que arroz e feijão, boa literatura e belas invenções científicas. Reconhecer uma firma custa para o consumidor tanto quanto um litro de gasolina. Compare os recursos materiais e humanos utilizados na produção de uma e outra e me diga qual é a lógica econômica do valor cobrado. É uma indagação a ser feita às Corregedorias dos Tribunais que estabelecem os preços. Na semana passada, quando finalmente parecia que o negócio seria fechado, e eu poderia assinar o contrato de compra e venda do bem, representando os meus filhos, pois já estava tudo aprovado pela Caixa, o escrivão, quase sempre ele - quando não o servidor da Caixa - disse que a procuração pública, lavrada em cartório a um custo de mais de R$100,00, não servia porque ela não mencionava expressamente a Caixa Econômica Federal, embora se referisse a instituições de crédito, bancos etc...Fiz meu filho, que mora em São Paulo, correr a um cartório e fazer nova procuração especificando a CEF, e mandar o documento por sedex, com receio de caducar as certidões já entregue. Mais R$ 200,00. Hoje, a caminho da assinatura no cartório, recebi um telefonema do comprador: não adianta vir, como o seu filho mudou-se para São Paulo, o escrivão está exigindo certidões negativas de cartórios paulistanos. Imaginem a minha ira e a raiva do comprador. Mais tempo perdido e dinheiro desperdiçado, num círculo vicioso interminável. Parece que a lógica é esta: dane-se o tempo e o dinheiro do cidadão, a burrocracia insaciável quer mais. A mim, eu que não acredito na santidade e no poder transcedental das igrejas, não me resta sequer reclamar para o bispo. Meu filho terá que ir de cartório em cartório, em São Paulo, enriquecer donos de cartório.

13 de abr de 2009

Menos automóveis, por favor

Um representante da indústria automobilística disse, em uma entrevista ao Carlos Alberto Sardenberg na CBN, que a meta dessa indústria no Brasil é alcançar a média norte-americana de um automóvel para cada dois habitantes, e que o país tem potencial para atingi-la. Atualmente, se não me falha a memória, a média é de sete por habitante. Sardenberg, com a perspicácia que lhe é própria, ironizou: São Paulo possui dois carros para cada habitante e a cidade está parada.O representante da indústria defendeu o seu negócio: o problema é o transporte público, o automóvel está ligado à liberdade de ir e vir, direito constitucional...eu não consigo perceber essa relação, especialmente dentro de um automóvel que se move a menos de vinte quilometros por hora em meio a um engarrafamento monstruoso, e que faz com que se perca horas preciosas no trânsito, furtando o acesso no tempo adequado ao trabalho e ao lazer. Aonde está a liberdade de ir e vir, quando todos os caminhos estão bloqueados por carros e mais carros? Eu já desejei voltar para São Paulo várias vezes, mas, quando penso nas dificuldades e na irritação trazidas pelo trânsito paulistano, me vem aquela dúvida cruel: vale a pena o sacrifício? Em Brasília, onde moro, o trânsito é bem melhor do que o de São Paulo, porém já há vários pontos de estrangulamento. E estacionar está cada vez mais difícil. Na quadra para onde mudei recentemente, eu raramente consigo uma vaga perto do meu prédio. Sou obrigado a estacionar meu carro em vias internas distantes e sem qualquer vigilância, às vezes ao lado de uma placa de proibido estacionar. Nosso Estado zomba da nossa cara, pra variar. Ele incentiva, até as raias da compulsividade, a aquisição de automóveis, mas não só não oferece estacionamentos suficientes como também veda e pune o estacionamento nos poucos locais disponíveis. E , nesse ponto, tem razão o representante da indústria automobilística, o Estado não dá a mínima para o transporte coletivo. É claro que é agradável andar no conforto do nosso carro. Melhor dizendo, já foi. Mas, se o Estado investisse mais na quantidade e na qualidade do transporte público, eu e muita gente optaríamos por esse meio e deixaríamos o carro em casa ou sequer teríamos um, uma vez que o seu custo de manutenção é alto e a sua depreciação é grande. As cidades e o meio ambiente agradeceriam. Poderia se alegar, como se alega: essa indústria é importante na cadeia produtiva e cria muito emprego direto e indireto. É verdade. Mas, se compararmos o número de beneficiados com o de prejudicados, será que realmente se justifica tanto incentivo prioritário dado pelos governos à industria automobilística, em detrimento dos serviços públicos de transporte que atenderiam a um número maior de pessoas? Quantos veículos automotores não circulam com apenas uma pessoa? Se queremos realmente melhorar a qualidade de vida em nossas cidades, precisamos optar por um modelo que desestimule o uso do transporte individual e incentive o coletivo.