30 de set de 2008

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,como um cego.
Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,a sangue e fogo.
Pablo Neruda

fonte: pensador.info

29 de set de 2008

shana tova

Já agora, depois do entardecer, comemora-se o ano novo judaico ( rosh hashana). O ano é o de 5769. Uma história preciosa de um povo que muito tem sofrido, mas que também tem contribuído como poucos para um mundo mais alegre, mais próximo do ideal de felicidade. Quem pode negar a admirável contribuição de pessoas de origem judaica nos diversos campos da existência humana. Para começar, é de se citar Jesus Cristo, que dividiu a história em a.C e em d.C.. Muitos cristãos, os anti-semitas em especial, esquecem-se que ele era judeu. Ele e Paulo, que estruturou a base do cristianismo que conquistou Roma e o Ocidente. Depois, considerando a respeitabilidade do Prêmio Nobel, sugiro uma pesquisa no Google  acerca de quantos judeus foram agraciados com aquele prêmio, como reconhecimento e retribuição modesta pela colaboração com o progresso da Humanidade. Cito alguns a título de exemplo: Literatura - Henry Bergson, Boris Pasternak, Saul Bellow, Isaac B. Singer; Biomedicina - Sir Ernest Boris Chain (descobridor da penicilina, que salvou inúmeras vidas); Economia - Paul Samuelson, Milton Friedman; Física - Albert Einstein, Niels Bohr, Gustav Hertz, Richard Feynman. É desnecessário demonstrar a importância de Karl Marx e de Sigmund Freud para a cultura contemporânea, ainda que se discorde de um ou de outro. Nas artes em geral e no cinema em particular, responsáveis por grande parte do prazer de viver, a presença de judeus é marcante: Chagall, Segall, Mendelsohn, Leonard Bernstein, Isaac Stern, Yehudy Menuhim, os irmãos Gershwin, Bod Dylan, Marck Knoppler, Spielberg, Woody Allen... O que faz desse povo tão especial? Poderia sintetizar na capacidade de, como o pequeno jovem David, vencer desafios do tamanho de um Golias, graças à sua fé na capacidade do ser humano de se superar e evoluir. E de efetivamente contribuir para o avanço da humanidade. Temos que ser gratos ao povo de Israel, e desejar-lhe feliz ano novo: shana tova. 

26 de set de 2008

Sao Paulo - SP

Estou passando o fim de semana em Sao Paulo. Muita gente nao compreende a fascinacao que tenho por esta cidade, que consideram caotica e feia. Nao entende porque alguem viria passar um fim de semana em Sao Paulo, em vez de ir para o Rio, ou para alguma praia do nordeste... eu sou um paulistano que sai de Sao Paulo muito novo, e verdade, mas sempre me senti em casa quando voltei a capital paulista. Lembro-me que a primeira vez que vi o filme Manhattan, do Woody Allen, foi em Sao Paulo, e eu fiz imediatamente uma relacao entre as duas cidades SP e NY, pela forca das duas, cada uma, e claro, com as caraceteristicas proprias dos seus mundos, em desenvolvimento e primeiro, respectivamente, mas tendo em comum o ser cosmopolita, o ser movida pela criatividade e pela vontade de vencer, o ser capitalista com os seu extremos bons e maus. Mais que tudo, pela sua gente diversificada, pela cultura conservadora ou vanguardista nas ruas, esquinas, teatros, museus...

24 de set de 2008

She walks in Beauty

1
She walks in beauty, like the night
Of cloudless climes and starry skies;
And all that's best of dark and bright
Meet in her aspect and her eyes:
Thus mellowed to that tender light
Which heaven to gaudy day denies.
2
One shade the more, one ray the less,
Had half impaired the nameless grace
Which waves in every raven tress,
Or softly lightens o'er her face;
Where thoughts serenely sweet express,
How pure, how dear their dwelling-place.
3
And on that cheek, and o'er that brow,
So soft, so calm, yet eloquent,
The smiles that win, the tints that glow,
But tell of days in goodness spent,
A mind at peace with all below,
A heart whose love is innocent!

Lord Byron
"I can never get people to understand that poetry is the expression of excited passion, and that there is no such thing as a life of passion any more than a continuous earthquake, or an eternal fever. Besides, who would ever shave themselves in such a state?" Lord Byron, in a letter to Thomas Moore, 5 July 1821

23 de set de 2008

Sobre a liberdade

Não sou de esquerda, apesar de ter citado Brecht. É que a repulsa à alienação está acima de orientação política. Não me enquadro em nenhuma corrente política, porque o enquadramento é sempre restritivo, mas, se adotarmos a distinção feita por Bobbio entre esquerda e direita, certamente não sou de esquerda. Pela simples razão de que, entre prestigiar a liberdade e privilegiar a igualdade, eu fico com a liberdade, sempre, e não admito que ela seja eliminada ou limitada em nome da igualdade. O único limite da liberdade deve ser a liberdade do outro, regra elementar. A liberdade não deve ser vista como sinônimo de irresponsabilidade nem de ausência de normas. Aquele que causar dano a terceiro deve ser responsabilizado na medida do dano; o que violar a lei deve ser apenado na exata proporção que afaste dele e da sociedade a sensação de impunidade, como já ensinava Beccaria. Ao Estado cabe a justiça, a saúde, a educação e a segurança, lição do Liberalismo do Século XVIII, atualíssima. Tudo de modo a propiciar a igualdade de oportunidades sem eliminar a meritocracia, estimulando uma competição saudável. Os partidos cujo discurso supervaloriza a igualdade ( ex. PT), em geral não valorizam o mérito mas a filiação partidária. Penso que o Estado deve ser mínimo e não deve substituir a sociedade civil ( ONGs ligadas a gente do governo ou que vivem às custas do contribuinte também não). Primeiro, porque o Estado gigante, para se sustentar, rouba recursos da sociedade civil, de quem empreende e cria o desenvolvimento, e é um ente que tende à corrupção e ao totalitarismo; segundo, porque as pessoas que se pretendem adultas não precisam de tutela, não deveriam precisar. O cidadão consciente, o que se faz respeitar e, por isso, é o que merece respeito, assume a liberdade e a responsabilidade que dela decorre, governa o seu destino e participa da condução dos rumos do planeta, delegando apenas o indispensável àqueles que se dizem nossos representantes mas que não trabalham por nenhum interesse que não o deles. Sobre a liberdade, recomendo a leitura de John Stuart Mill.

22 de set de 2008

O analfabeto político

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo." Nada é impossível de Mudar"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar."

B. Brecht
"Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos, e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida, esses são os imprescindíveis." [ Bertold Brecht ]

20 de set de 2008

Carlos Santana

Sou um apaixonado pela música anglo-saxã: pop-rock, jazz, standards...Encantam-me os Gershwin, Cole Porter, Leornad Berstein, The Beatles, Led Zeppelin, Deep Purple, Queen, The Who, Eric Clapton Dire Straight, U2, Pearl Jam, Coldplay, Norah Jones, e por aí vai... Mas um musico mexicano tem me impressionado especialmente: Carlos Santana. Sua guitarra faz o pior dos dançarinos - eu - sair chacoalhando os quadris. É de uma latinidade - como sinônimo de ritmo  sensual - sem igual. Fiquei orgulhoso, alegre. Precisamos mesmo elevar a nossa auto-estima, porque não há motivo para ela estar abaixo da de outros grupos. Mas, o que mais chama a atenção é a capacidade de Carlos Santana conjugar com naturalidade em um único universo brancos e negros, hispânicos e anglo-americanos. Ele faz crer que é possível a convivência harmônica dos diferentes, bastando se entregar  ao ritmo da música, e que música ele é capaz de dedilhar na sua guitarra! Ele me fez mais otimista em relação à possibilidade de vivermos com e entre pessoas de diversas nacionalidades, crenças, e etnias; de o mundo se transformar efetivamente em um mundo global sem barreiras que não o mérito. Carlos Santana é um panfleto vivo a favor da tolerância!

Trovadores

Em um país onde pouco se lê - até porque o preço dos livros é absurdo -, o melhor meio de espalhar poesia é a música. Nossos poetas mais conhecidos e admirados são trovadores, e temos muitos e excelentes: Vinícius, Tom, Chico, Caetano. Djavan, Osvaldo Montenegro, Raul Seixas e Paulo Coelho, Renato Russo, Cazuza e Frejat, Arnaldo Antunes e os Titãs, o pessoal do Rappa, só para citar alguns brasileiros que merecem ser ouvidos mas também lidos. E se a poesia já por ser poesia é bela, com música então!!! Esses trovadores tornam nossas vidas mais suportáveis, porque trazem a ela beleza, mesmo que triste ou questionadora. Importa que afastam o tédio e fazem dançar corpo e alma. Danço, logo existo.



16 de set de 2008

Embriague-se de vinho, de poesia ou de virtude.

Embriague-se. É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se.E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: "É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser".

Charles Baudelaire

Soneto do Vinho

Em que reino, em que século, sob que silenciosa

Conjunção dos astros, em que dia secreto

Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa

E singular idéia de inventar a alegria?

Com outonos de ouro a inventaram.

O vinho flui rubro ao longo das gerações

Como o rio do tempo e no árduo caminho

Nos invada sua música, seu fogo e seus leões.

Na noite do júbilo ou na jornada adversa

Exalta a alegria ou mitiga o espanto

E a exaltação nova que este dia lhe canto

Outrora a cantaram o árabe e o persa.

Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história

Como se esta já fora cinza na memória.



Jorge Luis Borges

vinhos

"Os vinhos são como os homens: com o tempo, os maus azedam e os bons apuram."
Cícero

15 de set de 2008

Celebrar a liberdade

Vamos celebrar a liberdade, conclamam Eric Clapton e sua guitarra mágica acompanhada da não menos mágica guitarra de Carlos Santana na música Day of Celebration. É necessário celebrar a liberdade para nós, nossos filhos e netos, dançando, cantando, como se fossemos ex-escravos. Mais do que festejar, é fundamental defendê-la como defendemos a própria vida, porque vida sem liberdade vida não é, é morte por derramamento lento e incontido de sangue: liberdade de ir e vir, de crença religiosa e de convicção política, de exercer uma profissão, de associação, de reunião e, especialmente, de expressão. Destaco a liberdade de expressão porque, a partir do momento em que se coíbe o direito de se manifestar um pensamento, seja qual for a forma de expressá-lo, a supressão das outras liberdades é uma consequência natural, tendo em vista que não se poderá revelar a indignação nem argumentar contra o arbítrio. Todos os meios de expressão devem ser tolerados, do grito de revolta ao de prazer; da nudez contra o uso de peles de animais ao corpete de couro trajado por fetiche; do grafite colorido nos muros às charges em preto e branco nos jornais; do Mein Kempt ao Das Kapital... Só a liberdade de expressão oferece o livre acesso à informação e ao conhecimento, e, por conseguinte, à livre escolha, essencial ao adequado funcionamento da melhor forma de governo conhecida: a democracia. Não é à-toa que a primeira coisa que os fundadores de regimes autoritários fazem, como o hitlerista e o marxista, é eliminar a liberdade de expressão, fechando jornais, queimando livros, e encarcerando livre-pensadores e artistas. Por essa razão, deve-se estar atento em relação a apelos moralistas a favor da censura, sob a máscara do politicamente correto.

4 de set de 2008

"Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo"

Michel Foucault

3 de set de 2008

Iniciação filosófica

"A ânsia de uma orientação filosófica da vida nasce da obscuridade em que cada um se encontra, do desamparo que sente quando, em carência de amor, fica vazio, do esquecimento de si quando, devorado pelo afadigamento, súbito acorda assustado e pergunta: que eu sou, que estou descurando, que deverei fazer?"

Karl Jaspers
"O homem está condenado a ser livre"

Jean Paul Sartre